O Processo de Conclusão: Entendendo a Resolução de Traumas
Se você já se aprofundou em materiais sobre desenvolvimento pessoal ou participou de workshops relacionados, provavelmente já ouviu falar no **Processo de Conclusão**. Este artigo visa esclarecer o que exatamente é esse processo e qual seu propósito fundamental.
Em termos simples, o Processo de Conclusão é um método projetado para ajudar você a resolver e se curar de traumas. Em sua essência, trata-se de um procedimento no qual você utiliza deliberadamente um **gatilho** para revisitar conscientemente um trauma não resolvido que está na origem desse gatilho.
O objetivo principal é:
- Reexperimentar conscientemente o evento.
- Reverter processos de dissociação e fragmentação.
- Resolver a angústia que permanece não resolvida.
- Adquirir um profundo autoconhecimento que se traduz em mudanças positivas no seu dia a dia.
O Conceito Universal de Trauma
Pode parecer que este processo não se aplica a você se você não se lembra de traumas óbvios. No entanto, a realidade é que todas as pessoas vivenciaram algum tipo de trauma. Precisamos olhar para o trauma sob uma nova perspectiva.
A definição simples de trauma é: angústia sem resolução.
Essa definição abrange uma vasta gama de experiências, desde o desmame de um bebê até vivências crônicas onde a pessoa se sente dependente da sua valia para os outros com base apenas na qualidade de sua performance. Pode incluir desde as experiências de um veterano de guerra testemunhando a explosão de companheiros por minas terrestres, até casos complexos de abuso sexual e tráfico.
O trauma ocorre em todas as demografias, classes sociais, idades, raças, classes, religiões ou sexos. Todos vivenciaram angústias não resolvidas em suas vidas. Consequentemente, todos fizeram adaptações na personalidade como resultado dessas experiências traumáticas.
As dificuldades enfrentadas na vida adulta são frequentemente influenciadas por traumas vivenciados na infância. São esses eventos passados que estão na raiz da maioria dos problemas e lutas que enfrentamos hoje. Muitas vezes, não temos ideia de como traumas antigos influenciam nosso presente.
O Que o Trauma Não Resolvido Causa
Uma pequena lista do que pode ser causado por trauma não resolvido inclui:
- Sensação de estagnação (stuckness).
- Questões sexuais.
- Indecisão.
- Vícios.
- Bloqueios financeiros.
- Solidão e falta de propósito.
- Medo de falhar e sentimento de não ser bom o suficiente.
- Ansiedade social, entorpecimento (numbness).
- Estresse crônico e sobrecarga (overwhelm).
- Vergonha e culpa.
- Padrões de autossabotagem.
- Doenças mentais e ansiedade.
- Sentimento de impotência e problemas de controle.
- Problemas de saúde física.
- Crise de identidade, perfeccionismo, codependência.
- Medo de intimidade, burnout, dificuldade em estabelecer limites.
- Distúrbios alimentares e diversos problemas de relacionamento.
- TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) e insatisfação crônica com a vida.
O trauma altera o curso de nossas vidas. Quando um trauma ocorre, experimentamos angústia, damos um significado àquela experiência dolorosa, e isso, por sua vez, altera a forma como pensamos, as escolhas que fazemos e os comportamentos que exibimos. As pessoas frequentemente não têm consciência de como os traumas passados moldam suas vidas.
O Gatilho como Porta de Entrada
O Processo de Conclusão utiliza um gatilho como porta para resolver o trauma a ele ligado. Um gatilho é qualquer coisa que faça você recordar ou trazer à tona algum elemento de uma memória traumática do seu passado. Pode ser uma palavra, um tom de voz, um cheiro, uma sensação, um rosto, um lugar ou qualquer situação.
Você pode não saber conscientemente o que está causando a sensação súbita de mal-estar, ansiedade ou desconforto, mas sua mente subconsciente sabe. Assim, um gatilho funciona como um lembrete de um trauma anterior e um sinal para lidar com a questão.
Embora os gatilhos sejam frequentemente desagradáveis, eles não são inerentemente negativos. Pelo contrário, são um convite para resolver o que está pendente em seu interior, reintegrar partes fragmentadas de si mesmo e se tornar completo novamente.
Fragmentação da Memória
Quando uma memória surge devido a um gatilho, ela nem sempre retorna de forma coesa e organizada. Isso ocorre porque a memória é frequentemente armazenada de maneira fragmentada. Imagens, sons e sentimentos associados a uma memória podem estar armazenados separadamente.
Isso é crucial porque um gatilho pode fazer emergir apenas o aspecto emocional da memória. Nesses casos, a pessoa está experienciando uma recordação de memória, mas apenas o “sentir” dela.
Por exemplo, uma mulher pode sentir uma sensação de desgraça iminente, palpitações e um ataque de pânico ao sentir um certo perfume em um corredor lotado, mesmo sem se lembrar conscientemente de que aquele era o perfume de um agressor de sua infância. Como ela não conectou conscientemente os pontos, a experiência faz pouco sentido no contexto atual, e ela é classificada como “gatilhada”.
As Etapas do Processo de Conclusão
O Processo de Conclusão pode ser dividido em etapas, mas deve fluir como um processo contínuo para permitir que se sinta melhor a experiência de conclusão. As etapas são as seguintes:
1. Foco na Sensação: Ao experimentar um gatilho, direcione sua atenção para dentro e concentre-a inteiramente naquela sensação, com presença incondicional. Isso é uma prática de experiência emocional.
2. Convocação da Memória: Convide a memória ligada ao gatilho a vir à sua consciência.
3. Reexperiência Consciente: Escolha, por livre arbítrio, reviver a memória na perspectiva da primeira pessoa, se possível. Esteja aberto à experiência sensorial completa com curiosidade e aceitação do que aconteceu exatamente como foi, sem alteração. Valide o sentimento/experiência contida nessa memória.
4. Visualização Ativa: O processo muda de testemunhar ativamente para um processo de visualização ativa. Você trará seu eu adulto para a cena da memória. Você pode vivenciar isso da perspectiva do seu eu adulto, do seu eu criança na cena, ou alternar entre os dois.
5. Resolução pelo Adulto: O eu adulto fornecerá algum tipo de resolução para a criança em relação à experiência traumática dentro da memória. Um aspecto fundamental é que o eu adulto valide as emoções e a experiência do eu criança.
6. Integração de Partes Fraturadas: Uma vez que o alívio é sentido, acelere o processo de cura trazendo de volta quaisquer outros aspectos de si mesmo que possam ter se fragmentado devido à experiência traumática.
7. Atender às Necessidades da Criança: Encontre as necessidades (plural) da criança ou crianças dentro da cena da memória. Esta etapa visa trazer resolução para a angústia vivenciada naquele momento.
8. Opção de Escolha: Depois de suprir as necessidades da criança, você dará a ela a opção de permanecer na memória agora alterada (se a razão para ficar estiver alinhada com a resolução da criança) ou de se fundir com você no “aqui e agora”, em seu refúgio seguro. O refúgio seguro é um espaço mental que você cria para levar esses aspectos de si mesmo que passaram pela experiência traumática.
9. Desativação da Memória: Se a criança optar pelo refúgio seguro, você a levará para lá e desativará a memória.
10. Purificação e Cura: Crie purificação e cura para a criança ou crianças, gerando clareza e distância do passado. Isso é frequentemente feito no refúgio seguro, banhando a criança em “água curativa”.
11. Reatendendo Necessidades no Refúgio: Encontre as necessidades da criança e crie mais resolução para a experiência traumática, mas agora no contexto seguro do refúgio.
12. Retorno e Implementação: Após a criança estar em um estado de melhora, você retornará à perspectiva consciente no “aqui e agora”, como se estivesse saindo de uma meditação. Com base no que foi experienciado e compreendido, você decidirá como implementar de forma prática e tangível essa resolução ou melhoria em sua vida cotidiana.
O Impacto da Resolução
O Processo de Conclusão leva você à experiência não resolvida para que possa criar conscientemente a resolução que não pôde ser formada na época. Ao resolver a angústia em vez de apenas lidar com ela, conseguimos integrar a experiência negativa ao tecido de quem somos de forma benéfica.
Não somos mais atormentados por emoções negativas dolorosas sobre o evento. Conseguimos viver no momento presente sem sentir que somos constantemente arrastados de volta à memória dolorosa. O que aconteceu no passado não controla mais como você se sente ou se comporta no presente.
Isso não significa que você gostará do que aconteceu ou que se sentirá grato por ter ocorrido. Em vez disso, a experiência não será mais uma ferida aberta que dói quando tocada, mas sim uma cicatriz inativa.
Cura vs. Alívio da Dor
O Processo de Conclusão é um processo de cura profundo que transforma vidas, não um mero exercício mental. Nos dias, semanas e meses seguintes, você pode tomar decisões radicalmente diferentes, atrair pessoas diferentes e não ter as mesmas reações de antes.
A cura é muito diferente do alívio da dor. A maioria das pessoas encontra o caminho para a espiritualidade e o autoajuda através da dor e do sofrimento. Quando estão em angústia, desejam duas coisas:
1. Curar: A resolução real do problema em si.
2. Alívio imediato da dor: O que pode ser um caminho oposto à cura real.
O exemplo dos anestésicos (como Novocaína ou morfina) mostra que, embora tenham seus benefícios, seu uso inadequado pode ser prejudicial. A dor existe por um motivo: ela indica que algo precisa ser notado, resolvido ou mudado para que a pessoa volte ao alinhamento com seu bem-estar. Se a dor fosse bloqueada, como a de tocar um fogão quente, o dano continuaria.
O Processo de Conclusão não visa apenas fazer as coisas parecerem melhores; ele busca criar uma mudança de cura radical, e esse processo nem sempre é agradável.
Conflitos no Processo de Mudança
Ao iniciar a cura, a realidade do que não estava certo na infância pode vir à tona, e a dor pode ser sentida profundamente. Se você adaptou sua vida (cônjuge, carreira, amizades) com base em mecanismos de defesa criados pelo trauma, a cura pode forçar mudanças drásticas.
Por exemplo, se uma mulher que se acostumou a ser tratada como “boneca” na infância escolhe um marido que espera o mesmo comportamento, ao iniciar a cura, ela provavelmente não se sentirá bem nesse casamento e desejará mudar. Essa mudança pode gerar um conflito conjugal significativo, pois ela está se transformando em alguém que o parceiro talvez não quisesse desde o início, podendo levar ao divórcio.
O processo de cura pode ser necessário, mas nem sempre parece bom no momento. Pode parecer que as coisas pioram antes de melhorarem.
Aviso Importante: Uma pessoa não deve realizar o Processo de Conclusão se não estiver disposta a fazer mudanças reais e tangíveis em sua vida baseadas no que o processo revelar.
Outro ponto crucial é que a família e amigos podem se opor à sua cura. Sistemas sociais, como famílias e grupos de amigos, são mantidos por padrões de interação. Quando um indivíduo muda, ele força o sistema a mudar, o que gera resistência. O sistema tenderá a defender o estado atual, rotulando a pessoa que se cura como vilã ou ameaça.
Você pode se tornar o bode expiatório ao mudar a forma como interage com os outros. Se, no entanto, você encontrar apoio e disposição para a mudança por parte de outros, considere-se parte de uma rara minoria abençoada.
Quando as experiências traumáticas não são resolvidas e integradas, uma parte de você permanece congelada no tempo, afetando toda a sua vida. Você merece viver livre desse efeito. O Processo de Conclusão oferece uma ferramenta para alcançar paz interior e plenitude.
Opções para Aprender o Processo
Se você tem interesse em aprender mais sobre este método e aplicá-lo, existem algumas opções:
- E-course: Um curso online projetado para guiar você passo a passo através do conhecimento, exercícios e aplicação do processo.
- Praticante Certificado: Ser conduzido pelo processo por um facilitador treinado pode oferecer o suporte necessário.
- Livro: A leitura do livro intitulado “The Completion Process” detalha o método completo e está disponível em livrarias.
Perguntas Frequentes
- O que é o Processo de Conclusão?
É um processo terapêutico que utiliza gatilhos para revisitar conscientemente traumas não resolvidos com o objetivo de curá-los e obter autoconhecimento. - Como o Processo de Conclusão se relaciona com os gatilhos?
O gatilho funciona como um portal que traz à tona um aspecto de uma memória traumática, permitindo que a pessoa o aborde e o resolva. - Por que o Processo de Conclusão pode parecer que piora as coisas inicialmente?
Porque ele traz à superfície a dor e a realidade não resolvida, forçando a pessoa a confrontar e mudar padrões de vida estabelecidos sobre aquele trauma, o que pode gerar conflito e desconforto antes da cura. - Qual a diferença entre cura e alívio da dor?
Alívio da dor busca suprimir a sensação desagradável imediatamente, enquanto a cura (resolução) busca entender e resolver a causa raiz da angústia, o que é um processo mais profundo e transformador. - É possível fazer o processo sozinho?
É possível aprender e aplicar através de recursos como um curso online ou um livro, mas o apoio de um profissional certificado pode ser benéfico, especialmente em casos complexos.






