O Padrão do “Macaco Dançarino” nos Relacionamentos

O termo “macaco dançarino” tem origem em uma prática antiga onde mestres treinavam macacos para realizar truques, como dançar para uma plateia, em troca de dinheiro. No caso dos macacos, a recompensa era comida. Essa expressão, hoje, é usada para descrever alguém que se esforça excessivamente, realizando feitos difíceis, na esperança de obter algo que deseja desesperadamente ou de evitar algo que teme profundamente. No contexto dos relacionamentos, muitas pessoas caem no padrão da “performance desesperada” para serem amadas e escaparem de punições ou do abandono. Este padrão é conhecido como o padrão do macaco dançarino nos relacionamentos.

A Busca por Empoderamento e a Dependência Relacional

Como seres vivos, precisamos sentir um senso de empoderamento ao conseguir o que queremos e precisamos, assim como ao evitar o que é doloroso e indesejado. A situação se complica ao navegarmos no mundo dos relacionamentos, pois somos, em grande parte, dependentes das outras pessoas, independentemente de sermos crianças ou adultos. Muitas das nossas necessidades envolvem outras pessoas.

Os relacionamentos estão no cerne da existência humana, mas isso não significa que as pessoas se alinham facilmente com o que desejamos e necessitamos em nossas interações com elas. Em última análise, não temos controle sobre a decisão de outra pessoa em nos amar e agir como se nos amasse. Da mesma forma, não temos controle sobre se alguém nos abandonará.

O Início do Padrão do Macaco Dançarino

Quando desejamos e precisamos desesperadamente ser amados — sendo o amor a experiência mais prazerosa que alguém pode ter em um relacionamento e na vida — e, ao mesmo tempo, queremos evitar o abandono — a dor mais intensa que se pode vivenciar —, a impotência se torna torturante.

Para recuperar um senso de controle sobre essa situação, muitas vezes tentamos controlar o que não podemos. A maneira como buscamos esse controle em relacionamentos, onde há tanto que está fora do nosso alcance devido ao livre-arbítrio do outro, é assumindo 100% da responsabilidade pelo relacionamento e nos convencendo de que podemos controlar se seremos amados e se seremos abandonados.

Fazemos isso agindo de formas que acreditamos que irão atrair o outro para nos amar e nos fazer ficar. É neste ponto que entramos na rotina do macaco dançarino nos relacionamentos: realizamos performances desesperadas, fazendo tudo o que podemos para ser amados e evitar o abandono.

Exemplos do Comportamento de Performance Desesperada

Existem inúmeros comportamentos que caracterizam essa performance. Por exemplo, podemos:

  • Abrir mão de nossos hobbies e interesses.
  • Suprimir nossas próprias opiniões.
  • Adotar os hobbies, interesses e opiniões do parceiro.
  • Investir energia em nos tornarmos o mais atraentes possível.
  • Exibir talentos na tentativa de controlá-los ou manipulá-los.
  • Ficar obcecados em nos consertar.
  • Advertir os outros sobre nós mesmos, testando se eles nos abandonarão ou não.
  • Descobrir os desejos do parceiro e ir além do esperado para nos tornarmos aquilo que eles desejam desesperadamente.
  • Avaliar a compatibilidade agindo de forma excessivamente tranquila.
  • Esconder nossas necessidades ansiosamente.
  • Mergulhar em longas conversas para tentar estabelecer segurança.
  • Inundar o parceiro com afeto, palavras de afirmação, presentes, tempo de qualidade, para garantir que ele nos ame e não vá embora.
  • Fazer de tudo para permanecer na proximidade dele.
  • Fazer “trabalho de sombra” sobre o parceiro, sendo gentis independentemente de como somos tratados.
  • Abrir mão de nossos limites.
  • Tornar-nos o mais divertidos possível, fazer o outro rir.
  • Ser excessivamente agradáveis, validando o parceiro constantemente.
  • Suprimir, negar e renegar partes de nós mesmos.
  • Perguntar constantemente sobre eles, focando na dinâmica de vitimização e controle.

Esta lista é extensa. O problema não está em realizar essas ações isoladamente. Por exemplo, não há nada de errado em demonstrar afeto físico. O problema reside no motivo: se a motivação é uma tentativa desesperada de ser amado e evitar o abandono, estamos agindo como um macaco dançarino.

Muitos desses comportamentos de macaco dançarino são, na verdade, comportamentos de autoabandono. Rejeitamos, suprimimos, negamos ou ignoramos aspectos de nós mesmos que acreditamos que interfeririam no amor que o outro sente por nós e no medo de sermos abandonados. Como resultado, deixamos de amar a nós mesmos.

A Origem no Passado e a Continuação no Presente

Quando éramos jovens, em muitas famílias, nossos cuidadores não se engajavam ou não assumiam a responsabilidade pelo relacionamento conosco. Éramos rejeitados, negligenciados, ou emocionalmente abandonados. Para ter algum senso de controle nessa posição inerentemente impotente, assumíamos a culpa pela situação, fazendo-a ser sobre nós mesmos. Caímos na ilusão de que poderíamos mudar essa situação terrível sendo “bons o suficiente” para sermos o que eles desejavam e valorizavam, tentando erradicar as partes de nós que sentíamos que os faziam nos rejeitar e abandonar.

Levamos essa atitude de performance desesperada por amor para a vida adulta. Fazemos isso apenas para descobrir que nada funciona; as pessoas nos abandonam de qualquer forma. Isso geralmente nos transforma em macacos dançarinos de performance ainda mais intensa. Chegamos a um ponto em que sentimos que nada que somos ou fazemos é bom o suficiente para garantir que as pessoas nos queiram, nos valorizem e não nos abandonem. Passamos a acreditar que há algo muito errado conosco.

O Foco Incorreto: O Outro é Quem Decide Abandonar

O que não percebemos é que existem muitas outras pessoas com características que não se encaixam nos nossos critérios ideais — pessoas com personalidades difíceis, idosos, muito carentes, com deficiências físicas ou mentais, viciados, ou que cometeram crimes — e, ainda assim, elas não são abandonadas. Por quê?

O abandono não está relacionado ao quão incríveis ou terríveis nós somos para conviver. A verdade é que você tem menos poder sobre isso do que imagina. Está relacionado à escolha do outro em ser um abandonador em resposta a algo que ele carrega internamente. Eles podem ter muitas desculpas válidas para essa escolha.

A discussão aqui não é se é objetivamente certo ou errado alguém abandonar um parceiro. É sobre a conscientização de que outras pessoas, em situações idênticas ou até piores, optam por não abandonar. A forma como você se comporta em um relacionamento diz respeito a você, mas a escolha de abandonar pertence ao outro, e não é justo que você assuma a responsabilidade por ambos os comportamentos.

Muitas pessoas que abandonam relacionamentos são, fundamentalmente, incapazes de mantê-los; a desistência é a resposta padrão delas. Isso é um comportamento anti-relacionamento.

Consequências de Ser um Macaco Dançarino

Quando agimos desesperadamente por amor e para evitar o abandono, não conseguimos atrair alguém que realmente nos valorize, queira e ame. Isso ocorre porque a outra pessoa se apaixona pela performance. Assim, você nunca pode parar de atuar, e uma parte de você nunca se sente amada de verdade, pois está sempre tensa, se esforçando para manter o interesse do parceiro e evitar que ele se afaste.

Muitas das nossas ações nesse padrão envolvem amplificar características que acreditamos serem desejáveis. Se somos bonitos, enfatizamos nossa aparência. Se somos inteligentes, demonstramos nosso intelecto excessivamente. Mudar a nós mesmos para sermos desejáveis exige muito esforço, e não conseguimos manter essa fachada. Sentimo-nos intrinsecamente sem valor, então escondemos as partes reais de nós que poderiam ser amadas. Como a pessoa certa nos verá e nos amará se estamos constantemente nos escondendo?

Perguntas para Autoavaliação

Se você se reconhece neste padrão do macaco dançarino, faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  • O que você faz em um relacionamento para ser valorizado, amado e desejado pelos outros?
  • O que você faz em um relacionamento para tentar garantir que não será abandonado?
  • Esses elementos de sua performance são parte do que você deseja como troca em um relacionamento? Eles são reais e autênticos a você?
  • Essas atitudes são dolorosas? É por essas coisas que você quer ser valorizado e amado?
  • Você se sentiria bem atuando dessa forma para sempre no relacionamento? Manter esse comportamento te faz sentir, com o tempo, sem amor ou mais inseguro sobre si mesmo?

O Caminho para a Autenticidade

A verdade é que você precisa aceitar que não tem controle sobre se será amado ou abandonado. Aceitar isso é doloroso, mas essencial. Você precisa parar de sustentar a ilusão de que, ao demonstrar valor suficiente, o outro não o abandonará.

Quando você aceita essa realidade, para de assumir a responsabilidade total pelo comportamento alheio. Você percebe que, se alguém escolhe ser um abandonador, essa é a disfunção dessa pessoa, e ela poderia igualmente decidir não o fazer, independentemente do que você faça.

Você perceberá que ser autêntico é o único caminho para obter amor verdadeiro de alguém que o valoriza e que não irá te abandonar. Como parte dessa autenticidade, você decide como quer se portar no relacionamento e quais são suas razões para fazer certas coisas — como cozinhar, se arrumar ou ficar acordado para resolver uma briga. As coisas que você faz não são mais apenas um “para conseguir amor ou evitar abandono”.

Dessa forma, você assume a responsabilidade pela sua metade do relacionamento, sendo a pessoa que você deseja ser. Seu modo de estar no relacionamento deixa de ser uma performance desesperada e o pesadelo exaustivo de ser um macaco dançarino tentando conseguir amor e evitar o abandono.