Como se Sentir Mais Seguro

Como Cultivar a Segurança em um Mundo de Incertezas

Muitas pessoas em todo o mundo lutam para se sentir seguras atualmente, dado o clima global onde o perigo parece sempre presente. Somos constantemente bombardeados com avisos sobre a infinidade de perigos que existem. No entanto, mesmo em tempos menos perigosos, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para alcançar uma sensação de segurança.

Sentir-se cronicamente inseguro é, no mínimo, corrosivo. Não é um estado que um indivíduo consiga manter a longo prazo. Sentir-se cronicamente inseguro implica que seu corpo está constantemente inundado por produtos químicos de estresse, levando a um sofrimento psicológico crônico que, sem dúvida, afeta profundamente nosso bem-estar.

Por essa razão, exploraremos neste artigo algumas estratégias fundamentais para aumentar sua sensação de segurança.

Entendendo a Segurança: Não é Ignorar Sinais de Perigo

É crucial entender que, ao se sentir inseguro, seu ser precisa ser capaz de alertá-lo sobre situações de risco real para que você possa agir. O objetivo de buscar sentir-se mais seguro não deve ser ignorar os sinais importantes que seu corpo está enviando. O objetivo não é tornar confortável permanecer em uma situação insegura.

Para ilustrar, imagine uma mulher em um relacionamento abusivo. Se ela usar técnicas para se sentir mais segura naquela situação, em vez de agir com base no sentimento de insegurança para sair dela, ela estará apenas mascarando o problema.

Sua primeira ação ao se sentir inseguro deve ser se afastar de qualquer perigo imediato e buscar um local mais seguro. O desafio no mundo moderno é que enfrentamos inseguranças que não são imediatas — são mais complexas, objetivas e crônicas. Elas se assemelham menos a ser perseguido por um tigre-dentes-de-sabre e mais a preocupações contínuas, como o risco da censura global e seu impacto na sensação de segurança social.

Além disso, muitas pessoas que vivenciaram traumas têm grande dificuldade em se sentir seguras, mesmo estando em situações objetivamente seguras. Nesses casos, é importante ajudar a si mesmo a cultivar essa sensação interna de segurança, o que, por sua vez, ajudará a navegar pelas diversas formas de insegurança que possam surgir na vida.

Alguns de nós estamos tão acostumados a nos sentirmos inseguros que nem reconhecemos conscientemente essa sensação como o gatilho. Para se sentir mais seguro, você deve nomear e notar que o que foi ativado é a sua resposta de perigo. A partir daí, você precisa identificar o que está percebendo como perigoso. Existem três abordagens básicas para lidar com essa percepção. É recomendável aplicar as três, em vez de escolher apenas uma.

As três abordagens para lidar com a sensação de insegurança são:

1. **Agir para tornar a situação mais segura.**
2. **Mudar sua percepção da situação** para uma que promova maior segurança.
3. **Mudar a reação do seu corpo**, ou seja, acalmar seu sistema nervoso.

Vejamos algumas das melhores ferramentas para aplicar essas abordagens.

1. Testemunhando a Insegurança Interna

A primeira ferramenta é voltar sua atenção para dentro e testemunhar a própria insegurança. A insegurança se manifesta internamente como sensações, sentimentos, diálogo interno, pensamentos, imagens e, para alguns, até sons e cheiros.

Feche os olhos e sinta e testemunhe essas manifestações como se estivesse em uma meditação. Inicialmente, isso pode ser difícil, pois as sensações associadas à insegurança não são agradáveis; elas tendem a paralisar (como se estivesse congelado) ou a incitar a vontade de fugir, esconder-se ou lutar.

Permita que esses sentimentos e sensações ecoem por todo o corpo, por mais difícil que seja. Ouça o diálogo interno e os pensamentos, e observe as imagens enquanto elas surgem e se dissipam. Você pode nomear mentalmente o que está sentindo, vendo e ouvindo no momento em que ocorrem, mantendo-se na perspectiva de testemunha.

Isso impede que você se dissipe (dissocie) de si mesmo em resposta ao medo. Dissociar-se do medo é, na verdade, abandonar-se quando está com medo, o que piora a situação. Em vez disso, traga presença incondicional a si mesmo, o que diminui o medo.

Essa prática oferece informações valiosas sobre seu medo e suas verdades pessoais, ajudando você a se conhecer melhor e a tomar decisões mais informadas. Além disso, ativa o sistema nervoso parassimpático, que combate a resposta de medo e promove a calma. Este exercício sinaliza ao cérebro e ao corpo que, ao focar internamente em vez de externamente, você não está em perigo imediato.

Lembre-se sempre de nomear o que você está vendo, ouvindo e sentindo ao experienciar insegurança. Isso evita que você seja arrastado para um poço de preocupações, onde o foco se torna apenas uma cadeia mental de visualizações negativas de coisas ruins que aconteceram ou podem acontecer. O ponto do exercício é estar com o que está acontecendo no aqui e agora, e não apenas com o campo mental.

2. Tornando-se Proativo em Relação ao Medo

O segundo passo é se tornar conscientemente proativo em relação ao que está causando sua insegurança. Para fazer isso, comece escrevendo aquilo de que você tem medo. Pode ser muita coisa, então escolha algo específico.

Em seguida, identifique o que você **pode controlar** sobre essa situação e o que você **não pode controlar**. Aceite o que você não pode controlar para poder deixar ir. Com o que você pode controlar, crie um plano concreto de ações empoderadas e execute-as. Se você não sabe o que pode fazer, dedique energia à pesquisa sobre o assunto.

Muitas vezes, nossa sensação de insegurança é extrema porque estamos presos na preocupação passiva, o que nos leva a um sentimento de impotência. Por exemplo, se alguém teme perder seu dinheiro de aposentadoria (401k), essa pessoa pode não ter controle sobre a economia global ou a estabilidade da sua indústria. No entanto, tem controle sobre onde investir, se deve ou não permanecer na indústria, ou sobre a criação de planos de aposentadoria alternativos.

Ao mapear o que está sob seu controle, você pode criar planos e planos de contingência, tomando atitudes que o façam sentir-se mais seguro em relação ao futuro financeiro.

3. Identificando e Suavizando Pensamentos Medrosos

O terceiro método envolve identificar seu pensamento temerário e escrever pensamentos que suavizem ou, melhor ainda, refutem esse pensamento inicial. O ideal é chegar ao pensamento central ou de raiz.

Você faz isso perguntando repetidamente: “Por que isso seria tão ruim?” e/ou “O que isso significaria para mim?”. Responda com a maior vulnerabilidade possível.

Por exemplo, se o pensamento é “Vou ser demitido”, você pergunta: “Por que isso seria tão ruim?”. A resposta pode ser: “Porque eu não teria dinheiro.” Em seguida, pergunte sobre essa nova afirmação: “Por que seria tão ruim não ter dinheiro?” Resposta: “Eu perderia minha casa.” Continue o questionamento até chegar ao medo fundamental, como: “Eu me sentiria sozinho e mal por mim mesmo.”

Ao definir a raiz do medo, você pode então criar pensamentos e evidências que contradizem ou refutam essas crenças centrais. Se o medo é a rejeição ou o fracasso, contrabalanceie com pensamentos como: “Tenho amigos que não se importam com meu status financeiro” ou “Minha autoestima não precisa depender da opinião dos meus pais”. O objetivo é ancorar a autoestima em coisas que você valoriza intrinsecamente e que não estão ligadas à fonte de insegurança imediata.

Ferramentas Adicionais para Aumentar a Segurança

4. Criando uma Lista de Gatilhos de Segurança

Crie uma lista de coisas que ajudam você especificamente a sentir-se seguro. A lista de cada pessoa será única e pode incluir sons, ambientes, cheiros, imagens ou até certas atividades.

Exemplos de gatilhos de segurança incluem:

  • Ouvir música em frequências específicas (como 128, 528 ou 396 hertz).
  • Escrever em um diário de foco positivo.
  • Ouvir meditações guiadas.
  • Assistir a programas de culinária.
  • Nadar em uma piscina.
  • Observar imagens que evocam bem-estar.
  • Caminhar em locais com vistas amplas.
  • Tomar um banho quente com sais de Epsom.
  • Sentir a areia sob os pés na praia.
  • Mimos simples, como comer um doce específico ou sentir o cheiro de lilases.

Acostume-se a consultar essa lista e incorporar um ou mais itens regularmente.

5. Reconhecendo a Segurança no Momento Presente

Quando nos sentimos inseguros, nossa mente está presa no passado (trauma) ou no futuro (ansiedade). Praticar deliberadamente focar toda a sua atenção no aqui e agora, usando todos os sentidos, é vital. Pergunte a si mesmo: “Estou inseguro agora mesmo?”. Se a mente responder sim, peça a razão. Para cada preocupação futura ou passada mencionada, questione: “O que está acontecendo exatamente agora?”.

Descreva seu ambiente sensorial imediato: o som da rua, a textura do seu assento, o cheiro do ambiente. Isso ajuda seu corpo a registrar que, no momento presente, você está seguro. Este treinamento deliberado pode fazer maravilhas para acalmar o sistema nervoso.

6. Coleções de Estímulos de Segurança

Crie coleções de sons, imagens e cheiros que especificamente lhe proporcionem segurança. Use-os como “gatilhos de segurança”.

* **Sons:** Sons de pássaros são particularmente eficazes, pois evolutivamente indicam ausência de predadores ou tempestades. Sons da sua infância ou de terras ancestrais podem ser muito reconfortantes.
* **Imagens:** Fotos de entes queridos, memórias agradáveis, animais fofos, cores que trazem paz ou cenas de livros/filmes que você ama.
* **Cheiros:** Aromas da infância, velas específicas, o cheiro do seu parceiro ou pet, ou o cheiro do mar.

O ideal é combinar esses estímulos — olhar para suas imagens de segurança enquanto ouve seus sons de segurança e cheira seus aromas de segurança simultaneamente. Isso cria gatilhos positivos poderosos, o oposto dos gatilhos negativos que vivenciamos com o medo.

7. Exercícios de Respiração

Utilize padrões respiratórios para diminuir rapidamente os níveis de estresse e dar ao seu corpo uma sensação de segurança fisiológica. Dois padrões recomendados são:

* **Respiração 4-6-8:** Inspire contando até 4, segure por 6, expire contando até 8.
* **Respiração Quadrada (Box Breath):** Inspire por 4, segure por 4, expire por 4, segure por 4.

Pratique por um tempo que seja confortável (três a quinze minutos). Essas técnicas funcionam como um “remédio” interno para promover a calma.

8. Criando um Espaço Interno Seguro

Crie um espaço interno seguro mentalmente e visite-o quando precisar se sentir mais seguro. Este é um lugar sobre o qual você tem controle total.

Pense em um momento ou lugar que lhe trouxe a sensação mais próxima de segurança que você já sentiu (pode ser um local imaginário, como uma caverna de pão ou uma montanha nevada). Vá para lá mentalmente, interaja com ele com todos os sentidos e adicione detalhes com o tempo (como camas com dossel ou um animal de estimação).

Se algo inseguro aparecer nesse espaço, não entre em pânico. Isso apenas significa que sua mente não sente controle total sobre a segurança ali. Seja criativo: invoque “protetores” (anjos, super-heróis) para lidar com a intrusão ou, se necessário, “demolir” e reconstruir o espaço. Quanto mais você usa esse lugar, mais real e eficaz ele se torna.

9. Enraizando-se no Ser Sem Forma

Há um ponto em que buscar segurança unicamente no mundo físico (formas, empregos, relacionamentos) se torna insustentável, pois tudo que é físico é temporário e mutável. Aceitar a natureza transitória da vida direciona sua sensação de segurança para algo mais profundo: o Ser sem forma, atemporal e constante.

Estar ciente dessa dimensão atemporal, que existe além da vida temporal, ajuda a enxergar as inseguranças do dia a dia como temporárias e menores. A maestria de uma vida consciente envolve experimentar tanto o desejado quanto o indesejado, pois é o desafio do indesejado que impulsiona a expansão da consciência.

Co-Regulação e Conexão Humana

Nunca subestime o poder da co-regulação. Como seres sociais, precisamos uns dos outros para nos sentirmos e estarmos seguros. Busque conexão e permita que outras pessoas ajudem a aliviar a insegurança que você enfrenta. A segurança é uma necessidade fundamental e um pilar da qualidade de vida. Invista conscientemente nessas práticas e observe sua qualidade de vida melhorar.

Perguntas Frequentes

  • O que fazer se eu não conseguir parar de pensar em perigos futuros?
    Pratique o passo 5: concentre deliberadamente sua atenção em cinco coisas que você pode ver, quatro que pode tocar, três que pode ouvir, duas que pode cheirar e uma que pode provar no momento presente. Pergunte-se: “Estou em perigo *agora*?”.
  • Como o trauma afeta a sensação de segurança?
    O trauma prende a mente no passado, fazendo com que o sistema de alarme reaja a estímulos atuais como se o perigo passado estivesse acontecendo novamente, mesmo que você esteja fisicamente seguro.
  • É possível que minhas técnicas de segurança me façam ignorar perigos reais?
    Sim, se o objetivo for apenas se sentir confortável em uma situação perigosa. A abordagem correta, discutida no artigo, prioriza agir para remover o perigo imediato antes de usar as técnicas de regulação emocional.
  • Qual a melhor forma de começar a criar um espaço interno seguro?
    Comece pensando em um lugar ou momento que lhe trouxe a maior sensação de segurança. Não se preocupe se parecer “estranho” no início; o importante é que seja real para você e engaje seus sentidos ao imaginá-lo.
  • Por que a música de certas frequências é recomendada como gatilho de segurança?
    Certos sons e frequências podem ter um efeito direto no sistema nervoso, ajudando a induzir estados de calma e relaxamento, contrariando a resposta de estresse.