A Ciência da Criação da Realidade: Como a Imaginação Controla o Cérebro
Existe uma premissa fundamental em certas tradições espirituais, como a vida monástica, que exige a renúncia das posses mundanas e do próprio mundo para viver em reclusão. Isso é visto como um pré-requisito para alcançar um nível superior de consciência. A razão por trás dessa exigência é que, para acessar esse estado de consciência elevado, é necessário renunciar completamente à mente, que é definida como a vida da pessoa, o senso de eu e a realidade física.
Uma vez que essa “mente” é deixada de lado, a pessoa está pronta para uma nova forma de treinamento e um estado de consciência diferente. Essencialmente, trata-se de renunciar ao que é percebido atualmente. Esta ideia de renúncia é crucial, pois se aplica diretamente à forma como percebemos e criamos nossa realidade.
Renunciando aos Cinco Sentidos para Entrar na Realidade Desejada
O primeiro passo para entrar na sua realidade de sonho é renunciar aos seus cinco sentidos. Esta exigência de renúncia é importante no contexto moderno, onde ouvimos frequentemente conceitos como a ideia de que a realidade é uma simulação, um videogame ou um programa de computador. Todas essas ideias apontam para uma verdade central: a realidade física externa é, em essência, uma ilusão.
Se a realidade é uma simulação ou um grande videogame universal em que estamos vivendo, a lógica subjacente é que nós estamos criando ativamente o mundo físico em tempo real. O mais fascinante é que a neurociência moderna está começando a validar essa ideia.
Evidências Científicas: O Estudo de Harvard
Um estudo notável realizado em Harvard, especificamente no departamento de neurociência, ilustra como a imaginação molda a atividade cerebral. Os pesquisadores dividiram os participantes em três grupos:
- Grupo de Controle: Não realizou nenhuma atividade específica.
- Grupo Prático: Tocou piano.
- Grupo de Ensaio Mental: Não tocou piano fisicamente, mas dedicou tempo diário para ensaiar mentalmente e visualizar a sequência de teclas do piano, exatamente como o grupo prático.
Ao conectar os participantes a máquinas de escaneamento cerebral (como as usadas em pesquisas com grande verba), os cientistas puderam observar quais regiões do cérebro eram ativadas durante a execução. Eles viram em tempo real os impulsos elétricos e as regiões de atividade motora que se iluminavam.
O resultado mais surpreendente foi que o grupo que apenas imaginou e ensaiou mentalmente a execução do piano demonstrou a mesma atividade cerebral que o grupo que fisicamente tocou o instrumento. O cérebro acreditava que eles estavam realmente tocando.
Embora estivessem apenas imaginando, a atividade motora cerebral era idêntica à ação real. Isso é extraordinário: o cérebro não distingue entre a experiência imaginada e a realidade física.
O Cérebro como Dispositivo de Hardware da Simulação
Em um videogame, filme ou simulação de computador, é necessário um dispositivo de hardware para que o usuário experimente a ação – seja um console, uma tela ou um projetor. Neste contexto da simulação chamada “realidade”, o dispositivo de hardware é o seu cérebro.
O cérebro memoriza padrões neurológicos e, a partir deles, cria a realidade. Se você não renunciar aos seus cinco sentidos e à realidade atual, você continuará reforçando padrões que o prendem ao seu estado presente. Por exemplo, se você está endividado e gasta o dia pensando na sua dívida, sua atenção está sendo controlada pelos seus cinco sentidos, o que, de acordo com o estudo de Harvard, reforça as mesmas conexões neurológicas que mantêm você na situação de dívida.
O pensamento controlado pelos sentidos reforça a realidade presente. No entanto, ao renunciar aos seus cinco sentidos — ou seja, renunciar à sua percepção atual da realidade e aos seus apegos atuais — você pode criar a atividade cerebral da realidade futura desejada antes que ela ocorra.
Criando o Roteiro Futuro
Se você consegue ter a mesma atividade cerebral de um evento real ao assistir a um filme, um videogame ou uma série de TV, você certamente pode fazer isso para o futuro que deseja. O segredo é se perguntar:
- O que eu realmente quero?
- Não o que eu acho que posso conseguir, mas o que eu realmente quero?
A mente, baseada em sua experiência passada (artefatos do passado), pode limitar suas expectativas. Mas ao renunciar aos cinco sentidos, você se desliga dessas limitações sensoriais e do passado.
Se você quer uma casa dos sonhos, mais dinheiro, encontrar sua alma gêmea, ter a saúde ideal ou um estilo de vida aventureiro, você deve mentalmente ensaiar essa realidade. Feche os olhos, como fizeram os participantes do piano, e pratique essa atividade mental. Se você consegue se emocionar (chorar ou rir) assistindo a um filme, seu cérebro está se comportando como se estivesse vivendo aquela experiência, pois você renunciou temporariamente ao seu senso de eu para entrar na narrativa.
Ao aplicar isso à sua realidade futura, seu cérebro interpreta essa visualização detalhada como real e começa a criá-la. A imaginação, portanto, controla e direciona o cérebro, que atua como o controlador do “vídeo” da sua vida. O que você foca com sua atenção (e consequentemente com sua imaginação) é o que seu cérebro projeta como sua realidade holográfica.
Ao renunciar aos seus cinco sentidos e focar no estado desejado, você projeta uma nova realidade, como um projetor de cinema. O convite é considerar a possibilidade de que a imaginação é, de fato, a força motriz que dita a atividade cerebral, e, por extensão, a realidade externa.
Perguntas Frequentes
- O que é a “renúncia dos cinco sentidos” neste contexto?
Significa desapegar a sua atenção e o seu foco das informações sensoriais que sustentam sua realidade atual, permitindo que a imaginação crie novos padrões neurológicos. - Como a ciência comprova o poder da imaginação?
Estudos de neurociência, como o mencionado em Harvard, demonstraram que a visualização mental intensa de uma ação física gera a mesma atividade cerebral que a execução real dessa ação. - Por que o cérebro não diferencia o imaginado do real?
O cérebro é treinado e controlado pela imaginação. Ele processa os padrões neurológicos gerados pela visualização como se fossem eventos ocorrendo no mundo externo. - É possível mudar circunstâncias financeiras através da imaginação?
Sim, se você deixar de focar na realidade da dívida (informação sensorial) e focar consistentemente na realidade de ter o dinheiro desejado, você reforça os caminhos neurais para a nova condição financeira. - Qual a melhor forma de praticar a criação da realidade desejada?
A melhor forma é praticar a visualização mental detalhada do estado desejado, especialmente ao ir dormir, focando nos sentimentos e sensações como se já estivesse acontecendo.






