O Poder Transformador dos Pensamentos e Crenças
Nossa existência é moldada pelos pensamentos que nutrimos. Eles possuem a capacidade de construir e aprimorar nossas experiências de vida, ou, inversamente, de esgotá-las e destruí-las. Devido à sua presença constante no cotidiano, raramente paramos para analisá-los de forma objetiva. Essa falta de escrutínio faz com que muitas verdades essenciais sobre a natureza dos pensamentos permaneçam ocultas, inclusive uma revelação que pode transformar completamente a sua vivência.
Pensamentos como Estratégias Adaptativas
A principal verdade a ser compreendida é que pensamentos, e especialmente as crenças, são, em sua essência, parte de um **mecanismo de estratégia adaptativa**. Crenças frequentemente servem como um modo de adaptação em si mesmas.
O processo de abandonar um pensamento ou crença está diretamente ligado ao reconhecimento de que a estratégia que ele representava não é mais necessária. Isso só ocorre quando vemos claramente a função adaptativa da crença e decidimos que ela já cumpriu seu papel.
A Origem das Crenças: O Trauma Não Resolvido
Todos nós experimentamos algum nível de trauma ao longo da vida. Uma definição simples de trauma é **”angústia sem resolução”**. É importante notar que essa definição abrange uma vasta gama de experiências, desde um impedimento sutil na infância até eventos devastadores. Trauma afeta todas as idades, classes sociais, raças e religiões.
Quando vivenciamos angústia, especialmente aquela que não conseguimos resolver, nós nos adaptamos. Criamos adaptações—alterações mentais, emocionais ou físicas—que nos permitem gerenciar o que está nos causando sofrimento.
A adaptação é uma estratégia de sobrevivência e, por vezes, um caminho para o florescimento. Começamos a nos adaptar desde cedo: aos pais, à cultura, à linguagem, à escola e aos grupos sociais. Adaptamo-nos, consciente ou inconscientemente, para nos mantermos seguros e aumentar nossas chances de satisfazer nossas necessidades.
O grande problema surge quando as adaptações feitas em ambientes traumáticos ou disfuncionais começam a nos moldar. Essas adaptações nos forçam a nos encaixar nesses ambientes específicos, fazendo com que nos sintamos “normais” ou com poder pessoal somente ali. Consequentemente, quando entramos em ambientes mais saudáveis ou funcionais, nos sentimos como peixes fora d’água.
Se desejamos algo diferente, essas adaptações antigas atuam como forças de resistência contra nossos novos desejos, aprisionando-nos em um ciclo de sofrimento repetitivo. Nossas adaptações, sem que tenhamos consciência delas, nos colocam em uma trajetória que gera resultados indesejados.
A Verdade sobre a Mudança de Experiência
Se você busca uma realidade diferente, é fundamental mudar os padrões adaptativos internos que estão alinhando você com a sua experiência atual.
Como isso se conecta aos pensamentos? Quando vivenciamos algo angustiante ou traumático, não apenas superamos o evento; criamos um pensamento que se transforma em uma **crença** como resposta. E as crenças moldam tudo: nossa visão de mundo, nosso comportamento, nossas escolhas e nossa direção na vida.
Como tendemos a encarar os pensamentos como automáticos e subconscientes, não os vemos como algo que criamos intencionalmente. Isso é particularmente verdade para os chamados pensamentos negativos. Não percebemos que eles são, na verdade, parte da estratégia adaptativa.
Muitos já ouviram que pode haver um “pagamento emocional positivo” por sustentar uma crença negativa. Isso é reconhecer, em um nível básico, que crenças são estratégias.
A Função de uma Crença Negativa
Quando uma pessoa passa por algo angustiante, ela forma uma crença adaptativa que a ajuda a gerenciar aquela situação, diminuindo a angústia de alguma forma. Essa crença funciona como uma resposta a uma necessidade não atendida naquele momento.
Embora pareça contraintuitivo que uma crença extremamente dolorosa seja a “resposta a uma necessidade”, ela existe por um motivo: ela serve a um propósito de autopreservação. As pessoas escolhem, muitas vezes, entre duas situações terríveis, optando pela crença que é *menos* dolorosa do que a alternativa.
Ao fazer isso, no entanto, colocamos nossa vida em uma nova direção que, a longo prazo, nos leva a mais dor futura.
Como Curar e Transformar
Para realmente curar a angústia dos traumas passados, precisamos identificar a crença adaptativa que foi formada. É essencial compreender o *porquê* da formação desse pensamento—o propósito de autopreservação que ele servia, a necessidade que buscava satisfazer e a dor que tentava aliviar.
O próximo passo é reconhecer que **a necessidade por aquela crença não existe mais**. Ela não é mais uma estratégia útil. Isso nos permite retirar nossa energia dessa crença, fazendo com que ela se dissipe.
Ao fazer isso, novas verdades sobre a situação traumática podem surgir em nossa consciência, permitindo-nos substituí-la por uma crença consciente que realmente consideramos verdadeira.
Exemplo Prático: O Caso de Briana
Imagine a situação de Briana, que repetidamente se via sob a exasperação e desaprovação de sua mãe. Ela sentia que não importava o que fizesse, sua mãe ficaria chateada. A mãe expressava desaprovação, criticava, se afastava e até insinuava que Briana não era sua filha, chegando a comentar que ela havia sido trocada no nascimento.
Para Briana, essa experiência era de ataque constante e confusão. Ela não encontrava uma maneira de agradar a mãe para que os ataques parassem. Em resposta a essa angústia, ela formou a crença: **”Eu sou uma impostora.”**
Esta crença significava que ela não era filha de sua mãe; que ela havia sido colocada ali, e sua mãe apenas agia como se fosse sua filha, mas não era. Essa crença, embora dolorosa (“feria como o inferno”), tornava a situação menos confusa. Ela encontrou paralelos em histórias como “O Patinho Feio” e “Stella Luna”.
A crença de ser impostora serviu a vários propósitos adaptativos:
1. **Diminuição da Confusão:** Explicava o tratamento recebido.
2. **Segurança Emocional:** Permitia a esperança de que, em algum lugar, existia uma família onde ela pertenceria.
3. **Superioridade:** Ao se ver como “diferente” ou “especial” (como uma *star seed* ou diferente dos “muggles”), ela podia lidar com a rejeição sentindo-se superior à família que a rejeitava.
O problema é que, ao internalizar essa crença, Briana arruinou a própria vida. Ela aceitou o abuso, justificando que uma mãe que perdeu seu verdadeiro filho rejeitaria a criança substituta. Isso reforçou a disfunção familiar e a fez se distanciar ainda mais de seus pais. A crença a fez se sentir sozinha no mundo, o que levou seu corpo a se “armar” fisicamente, e ela sentiu culpa por existir.
As consequências foram vastas: rejeição de colegas e, em seu extremo, tentativas de suicídio.
Para Briana encerrar esse padrão, ela precisa identificar a crença adaptativa — “Eu sou uma impostora”—e entender a estratégia que ela serviu. Ela precisa reconhecer que a necessidade que a gerou não existe mais. Ao retirar a energia dessa crença, as verdades sobre sua mãe (como problemas de saúde mental e incapacidade de lidar com o próprio trauma) podem emergir, assim como a verdade sobre seu pai, que priorizou a paz da esposa em detrimento de ser um pai de verdade.
Substituindo a crença antiga por uma positiva e alinhada com o que ela deseja experimentar, sua realidade começará a mudar: novos pensamentos, palavras, escolhas, comportamentos e, finalmente, uma direção de vida completamente diferente. Essa compreensão é crucial para se tornar um criador consciente de sua realidade.
Perguntas Frequentes
- Como as crenças se formam em resposta ao trauma?
Crenças se formam como uma resposta adaptativa imediata à angústia não resolvida, servindo como uma estratégia para gerenciar ou dar sentido à situação dolorosa vivenciada. - O que significa dizer que as crenças são uma “estratégia adaptativa”?
Significa que, no momento em que são criadas, essas crenças servem a um propósito de autopreservação, ajudando a pessoa a sobreviver ou a diminuir o sofrimento imediato causado por uma situação difícil. - É possível se livrar de crenças antigas que não servem mais?
Sim, é possível, ao identificar a estratégia inerente à crença, reconhecer que a necessidade que a motivou não existe mais e, então, retirar a energia que a sustenta. - Por que crenças negativas persistem se causam dor futura?
Elas persistem porque, no passado, eram percebidas como a melhor opção entre duas situações ruins, ou porque mitigaram uma dor imediata maior, embora criem problemas em novas circunstâncias. - Qual a melhor forma de substituir uma crença antiga?
A melhor forma é substituir a crença antiga por uma crença positiva consciente que esteja alinhada com a experiência de vida que você deseja criar ativamente.






