Ter uma ferida de abandono é algo muito mais comum do que se imagina. Ela surge, geralmente na infância, quando sentimos que um dos pais esteve ausente, seja física ou emocionalmente. Quando isso ocorre, internalizamos a sensação de que “não somos suficientes” ou de que nossos sentimentos não importam. Como consequência, passamos a, subconscientemente, abandonar a nós mesmos para tentar agradar os outros ou normalizamos relacionamentos com pessoas emocionalmente indisponíveis.
O processo de cura da ferida de abandono
O processo de cura desta ferida é transformador. Não apenas para a visão interna que você tem de si mesmo, mas para toda a sua vida externa. A chave principal para essa mudança é reconhecer que não é sua culpa.
Quando crianças, internalizamos eventos como o divórcio dos pais ou a negligência emocional como se fossem reflexos de nossa própria falta de valor. Acreditamos que, se fôssemos “diferentes”, as coisas seriam melhores. No entanto, o primeiro passo para a liberdade emocional é entender que esses acontecimentos não foram causados por você e que não existe nada de errado com você.
A importância de validar a criança interior
A cura começa ao se conectar com a sua “criança interior” — aquela parte de você que foi negligenciada ou que se sentiu abandonada. Muitas vezes, tentamos esconder ou reprimir essa parte, mas o segredo para se sentir em casa dentro do próprio corpo é exatamente o oposto:
- Ver: Reconhecer a presença da sua criança interior em momentos de gatilho.
- Ouvir: Validar o que ela está sentindo, sem julgamentos.
- Acalmar: Oferecer a segurança que ela não recebeu no passado.
- Nutrir: Demonstrar amor e aceitação incondicional por si mesmo.
Se você não dedica esse tempo para acolher essa parte ferida, ela continuará buscando validação externa, projetando essas feridas não resolvidas em seus relacionamentos atuais.
Mudando o padrão de comportamento
O “agradar pessoas” (people pleasing) é, na verdade, uma forma de carregar fardos e tensões alheias na tentativa de curar traumas do passado. Quando você começa a expressar quem você realmente é, sem medo, você para de se abandonar. Isso atua como um filtro poderoso: algumas pessoas podem se afastar, mas isso apenas abrirá espaço para conexões mais profundas com quem realmente ressoa com a sua autenticidade.
Lembre-se: o objetivo não é controlar como os outros reagem a você, mas sim garantir que você não perca a si mesmo no processo. Quando você para de se abandonar, você para de atrair pessoas que reflitam esse mesmo desinteresse por você.
Perguntas Frequentes
- O que caracteriza a ferida de abandono?
É a crença interna de que não somos suficientes ou merecedores de atenção, originada de ausências físicas ou emocionais durante a infância. - Como essa ferida afeta os relacionamentos na vida adulta?
Ela leva a padrões de “agradar pessoas”, dificuldade em estabelecer limites e a tendência a se envolver com parceiros emocionalmente indisponíveis. - Por que é importante entender que “não é minha culpa”?
Porque essa percepção interrompe o ciclo de vergonha internalizada, permitindo que você pare de tentar compensar falhas alheias através do seu comportamento. - É possível curar a criança interior sozinho?
Sim, através da prática constante de autoconsciência, validação dos próprios sentimentos e técnicas de acolhimento pessoal que ajudam a restabelecer a segurança interna.
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