A dolorosa luta para ser seu verdadeiro eu após anos de esconderijo

A Jornada de Inana: O Mito Antigo da Transformação Espiritual

A deusa Inana, a rainha dos céus, desfrutava de uma vida luxuosa e era adorada por seu povo. Contudo, apesar de todo o prestígio, ela não se sentia feliz ou realizada. Um dia, Inana ouviu um lamento carregado de tristeza vindo do submundo. Era sua irmã, a rainha do submundo, que chorava desolada.

Movida por essa dor, Inana tomou uma decisão incomum: ela viajaria do céu para o submundo para estar ao lado de sua irmã.

A Descida Pelos Sete Portões

A descida de Inana era uma jornada rigorosa. Ela precisou atravessar uma sequência de sete portões. Em cada um deles, o guardião a forçava a deixar algo seu para trás. Primeiro, ela retirou sua coroa, depois suas joias e, em seguida, suas vestes.

Quando finalmente alcançou o submundo, Inana estava completamente despida. Não havia mais títulos, papéis ou máscaras — apenas a verdade nua de quem ela realmente era, testemunhando a dor de sua irmã.

Esta narrativa, que remonta a cerca de 5.000 anos, escrita pela alta sacerdotisa suméria Enheduanna na antiga Mesopotâmia (atual Iraque), é considerada o mito mais antigo registrado na história humana. Ele ressoa profundamente com a transformação espiritual e nosso desejo inerente de sermos autênticos, crus, sem fachadas, vivendo nosso poder e verdade para que todos vejam.

A Luta Humana pela Autenticidade

O fato de o mito de Inana ser tão antigo aponta para uma luta humana ancestral: o conflito interno entre o desejo de ser real e autêntico e a pressão social para usar máscaras e esconder partes de nós mesmos. A descida de Inana espelha as lutas que muitas pessoas enfrentam hoje para reencontrar seus verdadeiros eus após anos, ou até mesmo uma vida inteira, de disfarces.

Neste artigo, vamos explorar essa luta antiga entre a vontade de ser autêntico e o sentimento de que precisamos manter aparências. Você descobrirá por que tendemos a nos esconder e a nos diminuir, e o que o mito de Inana, com uma camada mais profunda de interpretação que não foi revelada inicialmente, nos ensina sobre isso. Também veremos o que acontece espiritualmente quando nos escondemos e como podemos nos conectar com o nosso eu autêntico que a alma anseia.

Os Três Motivos Para Usar Máscaras

Ao trabalhar com milhares de clientes, foi possível identificar três razões principais pelas quais as pessoas usam máscaras ou escondem aspectos de si mesmas. Essas razões serão apresentadas em ordem de influência no nível de ocultação.

1. Segurança

Este é, de longe, o maior motivo para o ocultamento, especialmente entre mulheres. Em algum momento do passado — seja na infância ou até mesmo em vidas anteriores — você vivenciou um perigo real ou a percepção de que ser você mesmo era arriscado.

Considere estes exemplos:

* **O menino sensível:** Um garoto sensível que expressava emoções facilmente pode ter sido ridicularizado ou punido por um pai dominador. A criança aprende rapidamente que ser autêntica é perigoso, levando-a a adotar uma “máscara de durão” para sobreviver, escondendo sua verdadeira natureza.
* **A menina aventureira:** Uma menina meiga, aventureira e que não gostava de vestidos, mas sim de brincar com meninos, pode ter sido julgada por se comportar de maneira que não era esperada de uma “boa menina”. Isso a levou a desenvolver a “máscara de boa menina”, alterando seu comportamento para se adequar às expectativas parentais.
* **Trabalhadores da Luz:** Muitas almas que vieram à Terra para ajudar a humanidade sofreram ou foram incompreendidas em vidas passadas por serem “fora da caixa”. Um curandeiro poderoso, por exemplo, poderia ter sido rotulado como bruxo e condenado à morte. Essa memória trágica fica embutida, gerando um sentimento inconsciente de que ser autêntico é perigoso e que esconder-se é necessário nesta vida.

A segunda razão ligada à segurança é o **medo de abandono**. Quando nos escondemos por receio de sermos rejeitados por um grupo ou família, ativamos uma necessidade biológica de conexão, inerente a mamíferos, que precisam sobreviver em grupo. Frequentemente, escondemos quem realmente somos apenas para garantir nossa permanência no círculo social, mesmo que isso nos destrua a longo prazo.

O medo é a emoção central que impulsiona a necessidade de nos escondermos. A sensação de perigo gera um medo que comanda o ocultamento e o uso de máscaras, tornando-o uma necessidade vital.

2. Vergonha

Se sentimos vergonha ou somos críticos em relação a partes de nós mesmos, jamais desejaremos mostrá-las ao mundo. Essa vergonha internalizada dá origem ao que é chamado de sombra: a parte de nós que permanece reprimida e escondida inconscientemente.

Aqui, a história de Inana ganha uma nova dimensão. Ela não desceu ao submundo apenas para estar com sua irmã; ela foi para descobrir e abraçar as partes dela que havia escondido e reprimido. A irmã, Ereshkigal, era, na verdade, uma representação de uma parte de Inana que ela havia desconectado de si mesma.

Por que Inana reprimiria essas partes? Porque uma rainha não poderia demonstrar vulnerabilidade ou emoção crua, como a dor do luto. Ela sentia vergonha das partes de si que eram consideradas inaceitáveis.

Metaphoricamente, a descida de Inana é uma representação de uma mulher que atinge um ponto em que a dor de se esconder se torna insuportável. Ereshkigal é a metáfora para a tristeza e a dor que surgem quando reprimimos nossos sentimentos protetores, mas que agora nos sufocam.

A vergonha impedia Inana de acessar uma parte dela que era, na verdade, sensível, bela e profunda.

3. Não Conhecer Outra Forma

Muitos de nós começamos a usar máscaras na infância. Após tanto tempo escondidos, esquecemos quem é o nosso “eu” verdadeiro. Muitos relatam: “Eu finjo há tanto tempo que não sei mais como ser real.”

Isso não é apenas uma questão de personalidade; tem um forte fundamento espiritual e somático. Quando começamos a nos esconder na infância, duas coisas ocorrem:

1. **Desenvolvimento da Fawn (Acomodação/Apaziguamento):** Assim como as respostas de luta, fuga e congelamento, o *fawning* é uma resposta de sobrevivência. Diferente das outras, ela envolve tentar moldar o comportamento para agradar alguém e se manter seguro, mantendo-se anexado à fonte do medo. É o oposto de querer se afastar. O exemplo clássico é o filho de um alcoólatra que se comporta de maneira a apaziguar o pai bêbado. O *fawning* faz com que a pessoa mude como um camaleão dependendo do nível de segurança percebido.
2. **Desenvolvimento de um Plexo Solar Fraco:** O plexo solar, ou terceiro chakra, é o centro de energia onde a personalidade se forma, sendo o centro da individualidade, poder pessoal e livre-arbítrio. Quando este centro é fraco devido ao *fawning* constante, a pessoa não desenvolve um forte senso de quem é como indivíduo. Pessoas com plexos solares fracos lutam para definir a si mesmas, seus gostos e desgostos.

A combinação de *fawning* e um plexo solar fraco cria um cenário onde, mesmo querendo ser autêntico, a pessoa não sabe como, pois não se conhece.

O Custo Espiritual de Usar Máscaras

Independentemente da razão, o ato de usar máscaras causa uma divisão energética, criando um “falso eu”. Quem se esconde cronicamente se sente exausto. Isso ocorre porque a energia vital é dividida entre sustentar uma pessoa que você não é e nutrir o verdadeiro eu que está reprimido. Em vez de canalizar energia para um único ser autêntico, o sistema energético precisa alimentar duas identidades distintas.

Essa fragmentação, assim como Inana se sentiu incompleta ao viver fingindo felicidade enquanto uma parte de si estava reprimida no submundo, é exaustiva.

No entanto, essa exaustão profunda é, paradoxalmente, um presente oculto. Ela força uma escolha: a pessoa fica tão esgotada por sustentar duas entidades internas que, por fim, opta por deixar uma “morrer” para que o eu verdadeiro possa emergir.

Cultivando a Autenticidade: A Criação de Segurança Interna

O primeiro passo para a autenticidade é sentir-se seguro. Como a principal razão para nos escondermos é a percepção de insegurança passada, geralmente na infância, nossa responsabilidade como adultos é criar essa segurança internamente.

Não podíamos fazer isso quando crianças, mas agora, como adultos, devemos cultivar essa base de segurança. O eu adulto deve projetar força interna para a criança interior que ainda se sente insegura para ser autêntica.

Como Criar Segurança Interna

Uma prática poderosa para começar a treinar seu sistema energético na autenticidade envolve afirmações de segurança e relaxamento:

1. **Posição de Estrelas:** Deite-se de costas com os braços e pernas abertos, na posição de estrela-do-mar. Essa postura aberta sinaliza ao seu sistema nervoso que você está seguro e pode relaxar.
2. **Respiração:** Respire profundamente nesta posição.
3. **Afirmações:** Quando estiver relaxado, repita em voz alta (se possível) as seguintes frases quantas vezes desejar:
* “É seguro ser autêntico.”
* “Estou seguro para ser o meu eu real agora.”
* “Meu eu autêntico é poderoso.”

Ao terminar, sente-se em silêncio e observe como seu corpo se sente.

O Segredo da Autenticidade Plena

Um ponto crucial, presente no cerne da história de Inana, é que a chave para ser autêntico é amar e honrar todas as partes de si mesmo.

A descida de Inana ao submundo foi, na verdade, um ato de amor próprio. A cada passo que ela deu em direção ao seu mundo interior, ela estava se amando mais. Amar a si mesmo significa estar disposto a ver, aceitar e amar cada parte de você, inclusive aquelas das quais você se envergonhava ou se sentia desconfortável.

Quando Inana abraça a parte sombria de si mesma (representada por Ereshkigal), ela se torna completa. Nessa totalidade, ela se torna mais poderosa do que era antes. O amor-próprio gera uma energia poderosa que, por sua vez, gera segurança. Quanto mais você se ama, mais seguro você se sente.

Reconheça que abraçar a sombra e buscar a autenticidade pode ser desafiador, pois humanos tendem a resistir a mudanças, mesmo que sejam benéficas.

Perguntas Frequentes

  • Como a história de Inana se relaciona com a psicologia moderna?
    A história é uma metáfora poderosa para o processo de integração da sombra, onde a necessidade de manter uma imagem socialmente aceitável (a rainha) leva ao aprisionamento de emoções cruas e vulneráveis (a irmã no submundo).
  • O que é “Fawning” e como ele difere do “Fight or Flight”?
    O *fawning* é uma resposta de sobrevivência onde se molda o comportamento para agradar e apaziguar uma figura ameaçadora, visando manter a conexão para segurança, ao invés de se afastar fisicamente, como ocorre no modo luta ou fuga.
  • Por que o plexo solar enfraquece quando evitamos ser nós mesmos?
    O plexo solar é o centro do poder pessoal e da individualidade. O *fawning* constante faz com que a energia seja gasta em agradar os outros, impedindo o desenvolvimento de um forte senso de identidade única.
  • É possível superar o medo de ser autêntico?
    Sim, começando por criar segurança interna no presente, através de práticas como afirmações e relaxamento corporal, para contrariar as memórias de perigo do passado.
  • Qual a melhor forma de começar a integrar a sombra?
    A melhor forma é através do amor-próprio, que envolve a disposição de aceitar e honrar todas as partes de si mesmo, inclusive aquelas consideradas vergonhosas ou desconfortáveis.

Se você está pronto para trilhar o caminho da integração da sua sombra e viver com mais autenticidade, incentivamos a explorar formas de apoio e desenvolvimento pessoal contínuo. Para conversarmos sobre como essas dinâmicas podem ser trabalhadas em seu contexto específico, clique no ícone aqui do WhatsApp.