Segurança de Relacionamento: Por Que Deve Ser Personalizada

A Importância de Personalizar a Segurança no Relacionamento

A segurança é, sem dúvida, a principal preocupação em qualquer relacionamento. Neste contexto, podemos definir a segurança no relacionamento como o sentimento de estar seguro, certo e confiante um sobre o outro e sobre o vínculo que os une.

Quando essa segurança existe, ela gera um estado natural de facilidade, relaxamento e bem-estar. Se observarmos as diversas sociedades, veremos que todas possuem ideias concretas sobre o que constrói a segurança em uma relação e o que a destrói. Isso frequentemente resulta em uma mentalidade e um modelo de segurança de relacionamento de “tamanho único” (one-size-fits-all).

A questão é que os relacionamentos não cabem em uma caixa, assim como as pessoas individuais. A segurança no relacionamento é algo que pode e deve ser customizado para as pessoas específicas daquela relação. Ser consciente e intencional o suficiente para personalizar a segurança relacional dessa maneira faz toda a diferença e tem o potencial de libertar a sociedade da sua tendência à rigidez.

Neste artigo, vamos explorar este conceito de personalizar a segurança no relacionamento para que você possa começar a aplicá-lo em suas próprias relações.

Segurança no Relacionamento Não é Fixa

Contrariando o que muitos podem pensar, a segurança no relacionamento não é algo que simplesmente “está lá” no momento em que se assume um compromisso. Tampouco é algo que se constrói uma vez e permanece inalterado.

A segurança no relacionamento é algo que você está consistentemente fazendo, construindo e restabelecendo todos os dias, durante toda a duração da relação. Cada interação, cada conversa, cada situação — cada pequeno momento vivenciado com o outro — é uma oportunidade para ou estabelecer e construir segurança, ou destruí-la. Metaphoricamente, é como depositar ou retirar dinheiro da conta bancária da segurança.

Como a Insegurança é Criada: A Percepção Individual

Quando uma ação ou inação de um parceiro cria medo, ameaça, convida o indesejado ou gera perigo para o outro ou para o relacionamento em si (em níveis físico, emocional ou mental), alguma dose de segurança é perdida.

E o ponto crucial é: não importa se essa ameaça ou perigo é real ou não. A realidade é que a segurança no relacionamento é perdida de acordo com a percepção única e individual de cada pessoa.

Ter essa consciência sobre como a segurança relacional depende da percepção individual não o isenta de responsabilidades. Muitas pessoas tendem a adotar comportamentos objetivamente destrutivos em um relacionamento e culpar a percepção do outro pela insegurança gerada.

Ao mesmo tempo, devemos estar cientes de que diversos fatores influenciam a percepção de segurança — experiências pessoais, crenças, doutrinação social, entre outros.

O Mito da Caixa de Segurança Relacional Rígida

Vamos analisar a ideia de segurança no relacionamento como uma “caixa” — essa ideologia rígida que muitos mantêm sobre relacionamentos. Quando as pessoas operam dentro dessa caixa de “tamanho único”, elas assumem certas coisas como garantidas:

* É dado como certo que se um homem em um relacionamento olha para outra mulher, ele está tornando a relação insegura.
* É dado como certo que se uma mulher monitora os passos de seu parceiro com um rastreador, ela está tornando a amizade insegura.
* É dado como certo que se uma mulher dá um feedback negativo ao marido, ela está tornando o casamento inseguro.
* É dado como certo que um casal que se envolve sexualmente com mais de uma pessoa está destruindo o relacionamento.

É fundamental desafiar essas premissas. É perfeitamente possível que:

* Um homem aprecie olhar para outras mulheres com sua parceira, e ela só se sinta insegura se ele agir com base na atração física por outra pessoa.
* O monitoramento constante possa, para uma pessoa que foi muito negligenciada na infância, fazer com que ela se sinta mais segura e protegida ao saber de todos os seus passos.
* Um homem aprecie feedback negativo, pois ele está profundamente comprometido com o crescimento pessoal e odeia ter que adivinhar como a parceira se sente.
* Um casal encontre segurança e cimento de compatibilidade na prática sexual com parceiros diferentes.

Isso se estende a outras áreas culturais. Em algumas partes do mundo, estar apaixonado é visto como uma força opositora à segurança no casamento. Em outros lugares, o uso de um véu pode ser visto como crucial para a modéstia e proteção, enquanto em outros, a honestidade brutalmente sincera fortalece laços, ao passo que, em outros locais, mentir por polidez é o que fortalece a relação.

Alguns casais se sentem seguros passando a maior parte do dia separados, focando em tempo de qualidade intencional, como encontros. Outros se sentem seguros passando todos os dias juntos. Para um, dormir em leitos separados gera insegurança; para outro, não tem efeito. Usar alianças pode ser essencial para um, enquanto para outro, pode não ser relevante.

O ponto principal é: jogue fora o modelo rígido de segurança no relacionamento. Questione suas ideias preconcebidas e desenhe a segurança relacional de forma customizada, de um modo que sirva a você e ao seu parceiro.

Incompatibilidade e a Criação da Segurança

Essa necessidade de customização é uma razão pela qual a compatibilidade é tão crucial. Quando a incompatibilidade existe, ela se torna um problema real para a segurança.

Se você deseja exclusividade e fidelidade física, mas se junta a alguém cujo estilo de vida envolve flertes constantes e afeto físico com outros, haverá retiradas diárias da conta de segurança do relacionamento. Da mesma forma, se sua segurança depende da privacidade, mas seu parceiro valoriza a abertura total, isso gerará conflito.

Ao se envolver com alguém incompatível, o esforço necessário para criar segurança parecerá construir um castelo de areia na maré crescente — será impossível de manter.

Exemplos de Segurança Customizada

Para ilustrar como isso funciona na prática, vejamos alguns exemplos de casais que desenharam suas fórmulas únicas de segurança.

Trevor e Millie

Neste relacionamento, Trevor é o provedor financeiro, o que aumenta sua autoconfiança e solidez em seu papel. Sem a pressão financeira, Millie é mais afetuosa e amorosa, respeitando-o mais, enquanto ele atende às necessidades de estilo de vida dela.

Eles também têm quartos separados, compartilhando o quarto apenas para o sexo. Ambos sentem que essa autonomia intensifica a atração e permite que não precisem se adaptar aos ritmos incompatíveis um do outro. Trevor trabalha até tarde, enquanto Millie prefere dormir cedo e correr de manhã. Além disso, os estilos de decoração dos seus espaços individuais refletem suas diferenças, o que também aumenta o sentimento de segurança.

Anteriormente, Millie envolvia sua mãe em tudo, cinco ou seis vezes ao dia, o que fazia Trevor se sentir casado com duas mulheres. Eles customizaram isso, exigindo a participação de Trevor com a mãe apenas no aniversário e no Natal, o que fortaleceu a segurança de ambos, pois não foi visto como sacrifício.

Em sua dinâmica de poder, Millie é submissa e Trevor é dominante (encontraram-se em um festival de BDSM). Observar outras pessoas interagindo sexualmente com Millie faz com que ambos se sintam mais ligados e atraídos, embora isso destruísse a segurança de outros casais. Millie usa um colar de submissão, o que reforça o vínculo para os dois.

Millie precisa de muita reafirmação, e Trevor a fornece consistentemente com palavras de afirmação. Como Trevor não lida bem com críticas, quando Millie precisa expressar seu sofrimento, ela envia uma mensagem de texto em vez de confrontá-lo verbalmente, permitindo que ele processe a crítica antes de propor soluções construtivas. Eles também adoram basquete e vão a todos os jogos da temporada da NBA, o que os mantém conectados.

Benham e Rahini

Benham e Rahini, que adoram suas carreiras, uniram todo o dinheiro em uma conta conjunta para investir e construir riqueza, o que gera um senso de união e segurança financeira.

Ambos consideram a fidelidade crítica. A regra deles é não fazer nada para despertar insegurança no outro com alguém do sexo oposto — o que significa zero flerte, toque ou beijo fora do relacionamento.

Benham exige que Rahini dedique muita energia à sua família de origem, o que é uma expectativa cultural que ela aceita, pois isso fortalece o senso de pertencimento dela e o compromisso de Benham.

Rahini precisa de uma saída semanal com amigas, o que a energiza. Inicialmente, Benham se sentia ameaçado, mas ficou mais seguro ao conhecer essas amigas e entender que elas não influenciavam negativamente a relação. Seu ato de bondade mais recente foi descobrir onde as amigas estavam e subornar o bartender para servir bebidas gratuitas, o que Rahini achou extremamente atencioso e fortaleceu o vínculo.

No entanto, eles concordam que, exceto nesses momentos de socialização, precisam passar as noites juntos, pois se sentem desconectados de outra forma. Um aspecto interessante é que ambos foram proibidos de discutir com os pais quando crianças; portanto, gritar e argumentar um com o outro é visto como libertador e fortalece a intimidade, enquanto para outros casais, isso destruiria a segurança.

Eles também têm uma lista de experiências de novidade para experimentar juntos, e se apoiam mutuamente para realizar essas atividades. Rahini cozinha e envia marmitas para Benham, o que o faz se sentir nutrido e amado, e ela se sente totalmente recebida. Eles são rigorosos em usar suas alianças 24 horas por dia, 7 dias por semana, e são supersticiosos sobre perdê-las.

O Que Não Funciona e o Crescimento Mútuo

Ao ouvir esses exemplos, você pode ter se sentido incomodado. Se certos elementos desses relacionamentos causam insegurança em você, isso indica que esses elementos específicos não fazem parte da sua fórmula pessoal de segurança. Não é um dado adquirido que “X” causa insegurança e “Y” causa segurança; depende do indivíduo.

Não há nada de errado se um casal decidir se esticar em prol da segurança mútua, o que pode ser um componente chave do crescimento. O essencial é que, se isso for feito, ambas as pessoas realmente queiram fazê-lo, e não por codependência. Caso contrário, a tentativa irá contraproducente.

Um exemplo disso é quando um casal decide abrir o relacionamento. A segurança depende de solucionar as inseguranças existentes e desenhar juntos um novo modelo de relacionamento para criar uma segurança real e confiável.

Perguntas Frequentes

  • O que é segurança no relacionamento?
    É o sentimento de estar seguro, certo e confiante sobre o parceiro e sobre o vínculo existente entre vocês.
  • Como a segurança no relacionamento é construída?
    É construída e restabelecida consistentemente todos os dias através de cada interação e momento compartilhado.
  • Por que a segurança é subjetiva?
    Porque a perda de segurança depende da percepção individual de ameaça ou perigo de cada pessoa envolvida na relação.
  • É possível o que destrói a segurança de um casal fortalecer a de outro?
    Sim, é totalmente possível, dependendo dos acordos e valores específicos customizados por cada casal.
  • Qual a melhor forma de lidar com a rigidez social sobre relacionamentos?
    Jogar fora o modelo de “tamanho único” imposto pela sociedade e customizar a segurança com base nas necessidades reais de ambos os parceiros.