Quando você não sabe mais quem você é

A Jornada Espiritual: Entendendo a Perda da Velha Identidade

A história de Nelson Mandela, detalhada em sua autobiografia e no filme de 2013 *Long Walk to Freedom*, é um testemunho poderoso de luta, encarceramento e a derrubada do apartheid na África do Sul. Um aspecto frequentemente desconhecido de sua trajetória é que, antes de sua prisão em 1964, Mandela era um revolucionário militante. Após sua condenação à prisão perpétua, tudo mudou. Ele passou 27 anos recluso, durante os quais passou por uma profunda transformação, rejeitando a violência em favor da reconciliação, mesmo quando aqueles ao seu redor, incluindo sua esposa, clamavam por vingança. Sua decisão foi: “Não haverá vingança. O povo está zangado. Todos nós estamos zangados. Só há um caminho a seguir, e é a paz.”

Essa mudança interna permitiu que ele negociasse pacificamente o fim do apartheid, ganhasse o Prêmio Nobel da Paz e fosse eleito o primeiro presidente negro da África do Sul em 1994.

A epopeia de Mandela sobre triunfo e transformação interior pode parecer distante das lutas atuais, mas a experiência de uma profunda mudança de identidade é algo com que muitos podem se identificar. Em algum momento da vida, podemos passar por uma transformação onde nosso “eu” antigo e nossa identidade desmoronam, dando lugar a uma nova versão. Durante esse processo, é comum sentir-se perdido, confuso e sem saber quem se está tornando.

Este artigo visa oferecer uma compreensão espiritual do que é a perda da velha identidade, por que ela ocorre e como manter a fé e a paz durante essas transições profundas.

O Que Significa Não Saber Quem Você É?

Essa sensação de não reconhecimento, que pode ser avassaladora, representa a perda da sua identidade ou senso de si mesmo. Este processo se desenrola em três etapas principais.

Passo 1: O Evento de Emergência Espiritual

Para entender como perdemos nossa identidade, é crucial ter uma imagem de como é a alma. A alma é uma energia vasta que reside no corpo, mas também se estende para fora dele, observando tudo a partir de uma perspectiva superior e um estado de consciência mais elevado do que o ser humano consegue perceber.

Em certos períodos da vida, imprevisíveis para o eu humano, a alma “liga um interruptor”, que pode ser chamado de evento de emergência. Quando isso acontece, a alma inicia uma sequência de eventos que culminam na perda completa da identidade humana antiga.

Ao ativar esse interruptor, a alma emite uma energia de alta frequência para o corpo humano, desencadeando uma série de mudanças mentais e espirituais que redefinem quem você é.

Passo 2: A Morte do Ego

O ego é a parte da mente que constrói nosso senso de “eu” ou identidade. Toda vez que dizemos “eu”, é o ego que está falando. É a voz interna que nos ajuda a navegar pelo mundo e a entender nosso lugar nele, construindo toda a nossa personalidade como algo separado e único do resto do mundo.

Do ponto de vista da neurociência, o ego não está localizado em uma única área física do cérebro. Em vez disso, ele é um conjunto de redes neurais espalhadas por diversas regiões cerebrais, trabalhando juntas para criar nosso senso de identidade, especialmente no córtex pré-frontal, a área responsável pela tomada de decisões complexas, modulação do comportamento social e traços de personalidade.

Quando a alma envia energia de alta frequência ao cérebro, as antigas redes neurais que formavam nosso senso de identidade se desintegram. Isso leva o ego a passar por um processo chamado morte do ego, onde todo o nosso senso de ser se dissolve. Foi por isso que a pessoa que narra sentiu que não reconhecia seu reflexo no espelho; os neurônios que construíam o “eu” antigo haviam se desintegrado, deixando um vácuo existencial.

Passo 3: O Esvaziamento do Plexo Solar

O terceiro passo espiritual envolve o esvaziamento do plexo solar, ou terceiro chakra. Este centro de energia, localizado na parte superior do estômago, é responsável pelo nosso senso de poder pessoal, soberania e senso de identidade. É um centro de ação que nos ajuda a tomar decisões, ter confiança nelas e agir para torná-las realidade.

É nesse chakra que o ego nasce. Ele se desenvolve muito durante a adolescência, quando começamos a forjar nossa identidade. Assim, o plexo solar e o cérebro trabalham juntos para formar nossa complexa estrutura de identidade, o ego.

Quando a alma desencadeia o evento de emergência, ela envia alta frequência tanto para o cérebro quanto para o plexo solar. Essa energia força o chakra a se abrir e a derramar todo o seu conteúdo energético, tornando-o vazio. É essa combinação da desintegração das redes neurais do ego e o esvaziamento do plexo solar que resulta na perda de identidade.

Sintomas Desconfortáveis da Perda de Identidade

A sensação de não saber quem você é pode ser muito desconfortável. Durante esse período, que é um “terra de ninguém” entre a perda do velho eu e o surgimento do novo, podem surgir sintomas desafiadores.

1. Insegurança e Confusão

É um momento vulnerável. Sem a antiga identidade, a incerteza sobre quem você é no interim é constante. Com o plexo solar vazio e com menos energia, a mente pode se tornar uma confusão de pensamentos. Isso gera insegurança e confusão, levando a dificuldades em tomar decisões, até mesmo em escolhas simples do dia a dia, como escolher uma roupa. A fraqueza do plexo solar impede a energia de ação que nos impulsiona.

2. Medo

O medo é um sintoma proeminente. Ao construir um novo eu, a insegurança em tomar decisões gera ansiedade sobre o próximo passo a ser dado na vida. Além da mente, o sistema energético ou aura pode se contrair, ficando menor e mais restrito, o que leva a um ciclo vicioso: a contração energética alimenta o medo, e o medo causa mais contração. Esse ciclo só termina quando o plexo solar começa a se reabastecer energeticamente.

3. Sentimento de Insanidade

Ao perder o eu antigo e estar no período de transição para o novo, pode parecer que você está enlouquecendo. Esse sentimento pode ser amplificado por pessoas ao redor que não compreendem a mudança. Familiares e amigos podem pressionar para que você volte ao que era, dizendo: “Sinto falta do velho você” ou sugerindo acompanhamento psiquiátrico. Esses julgamentos aprofundam a dúvida sobre sua própria sanidade.

4. Confronto com a Morte Simbólica

Quando o ego se desfaz e o plexo solar se esvazia, o que ocorre é uma morte simbólica. Embora não seja uma morte física, o ser humano pode sentir como se estivesse morrendo, pois partes fundamentais de quem você era estão se desintegrando.

Essa morte simbólica é um componente essencial do ciclo de “morte e renascimento” descrito por pioneiros da psicologia transpessoal, como Stan e Christina Grof, no livro *The Stormy Search for the Self*. Eles afirmam que o que realmente morre são os velhos modos de ser que estavam inibindo o crescimento. É vital entender que essa sensação de morte é parte do processo espiritual e não é um chamado para se ferir fisicamente.

5. Facilidade de Influência

Com o esvaziamento do plexo solar e o ego em desintegração, você pode ficar temporariamente vulnerável a influências externas. Pessoas muito opinativas ou com traços narcisistas podem facilmente projetar suas opiniões em você. Nestas circunstâncias, a melhor defesa é o uso firme da palavra “não”. Dizer “não” é uma frase completa e essencial para proteger sua energia quando você se sente enfraquecido, impedindo que projeções externas não ressonantes penetrem seu campo energético.

6. Nostalgia

A nostalgia é comum quando o ego se desfaz. Ele tenta desesperadamente retomar o controle, insistindo que sua versão antiga era melhor, mais segura, e que seria mais fácil simplesmente voltar a ser quem você era. Muitos caem nessa armadilha, desejando retornar a uma vida que consideram mais fácil. Lembre-se: essa voz é seu ego em desintegração, tentando manter o controle. A nova versão que emerge é mais expansiva, completa e feliz.

Dicas Para Navegar na Transição

A perda de identidade é temporária, pois sua alma desencadeou o evento de emergência para permitir que você deixe para trás uma versão passada e se abra para uma versão maior de si mesmo.

Dica 1: Sem Resistência

Não resista à morte do ego ou ao esvaziamento do plexo solar. Permita que o ego morra lentamente e não se apegue às emoções que surgem. Seja tristeza pela perda do antigo eu, confusão ou até raiva por sentir-se abandonado. Permita que esses sentimentos existam, mas não se apegue a eles. Um mantra útil nesses momentos é: “Observar sem julgar”. Apenas observe o que está pensando e sentindo, permitindo que as emoções circulem sem tentar controlá-las ou suprimi-las.

Dica 2: Hermetismo e Ação

Uma das formas mais poderosas de atravessar a perda de identidade é o hermetismo, ou seja, retirar-se do mundo exterior. Milhares de pessoas espiritualmente avançadas praticaram isso ao longo dos séculos. Embora Nelson Mandela tenha sido forçado a se isolar por 27 anos, a maioria de nós pode se retirar em pequenas doses:

* Bloquear um fim de semana para estar na natureza sozinho.
* Fazer uma viagem curta explorando em solidão.
* Reservar algumas horas em casa para meditar e escrever em um diário.

Agende tempo para estar sozinho, pois isso é essencial para a transição da velha identidade para a nova. Não procrastine ou crie desculpas para esse tempo solitário.

Perguntas Frequentes

  • O que é o evento de emergência?
    É quando a alma ativa um interruptor que inicia uma sequência de eventos espirituais e mentais para desintegrar a identidade antiga e preparar o indivíduo para uma nova versão de si mesmo.
  • Como o ego se manifesta fisicamente no cérebro?
    O ego é composto por redes de neurônios em várias partes do cérebro, especialmente no córtex pré-frontal, que se comunicam para construir o senso de identidade individual.
  • Qual a relação entre o plexo solar e a perda de identidade?
    O plexo solar (terceiro chakra) armazena o poder pessoal e a identidade. Quando ele se esvazia energeticamente devido à alta frequência da alma, contribui significativamente para a dissolução do senso de ser.
  • É possível reverter a perda de identidade?
    Não, a perda de identidade é um processo evolutivo. Ela ocorre para que você possa liberar uma versão antiga de si mesmo e abrir espaço para uma versão futura mais expansiva e completa.
  • Qual a melhor forma de lidar com a insegurança durante a transição?
    A insegurança é agravada pela fraqueza do plexo solar. Reabastecer essa energia e praticar a observação sem julgamento ajudam a reduzir a confusão e a insegurança.

Lembre-se que esse processo é um convite para que uma versão maior, mais feliz e mais completa de você emerja. Não há motivo para desejar retornar ao que se foi, pois o futuro oferece mais plenitude.