O Custo Oculto de Ser Sensível Que Ninguém Fala

Lidando com a Hipersensibilidade em um Mundo Polarizado

Em uma manhã de segunda-feira, tudo parou. A Península Ibérica enfrentou um apagão maciço, um dos maiores da história europeia. Este evento interrompeu a eletricidade em Portugal e Espanha, causando transtornos a milhões de residências, lojas e empresas. Serviços de telefone e internet caíram, afetando dezenas de milhões de pessoas.

A experiência pessoal deste evento foi intensa. Ao sair de casa em Lisboa, a caminho de um período de descanso no campo, a energia simplesmente se foi. Inicialmente, houve confusão, pensando ser apenas uma queda de luz no prédio. Ao dirigir para fora da cidade, o cenário rapidamente se transformou em um caos de trânsito apocalíptico. Os semáforos estavam apagados, resultando em um engarrafamento que levou horas para ser superado. Mensagens começaram a chegar confirmando um blecaute gigantesco. Tentativas de contato com a família, mensagens de texto e acesso à internet falharam.

Durante esse engarrafamento caótico, com buzinas incessantes e pessoas em pânico correndo para supermercados como se fosse o fim do mundo, meu corpo reagiu com um aumento na frequência cardíaca e uma resposta nervosa intensa. As notícias iniciais falavam de múltiplos países afetados, levando a mente a questionar se uma guerra havia começado sem nosso conhecimento.

Após conseguir deixar Lisboa e chegar ao campo, descobrimos que a situação era generalizada, afetando telecomunicações e internet em toda a Espanha e Portugal. A agitação emocional era palpável; eu estava extremamente agitado, não apenas pela energia dura da situação de emergência – onde as pessoas perdem a compostura, correm para os postos de gasolina e demonstram comportamento apavorado –, mas também por pensamentos acelerados sobre o que poderia estar acontecendo em escala maior. Meu corpo entrou em modo de luta ou fuga, resultando em tensão e agitação enquanto eu tentava me manter focado ao volante.

Quando finalmente chegamos ao hotel no campo, ainda sem energia, comecei a refletir sobre a rapidez com que meu sistema nervoso havia se desregulado. Percebi que sou mais sensível ao estresse, com um sistema nervoso mais alerta e “no limite”. Isso me levou a questionar: essa desregulação tem sido uma constante em minha vida, e como ela se correlaciona com os eventos atuais?

A Pesquisa da Audiência

Para entender melhor se era algo pessoal, realizei uma enquete na minha comunidade perguntando se eles também estavam tendo mais dificuldade em regular seus sistemas nervosos recentemente. O resultado foi claro: 87% da minha audiência relatou dificuldades semelhantes em regular o sistema nervoso nos últimos dias, semanas ou meses.

Isso faz parte de um padrão mais amplo de algo que está afetando os sistemas nervosos em todo o planeta. Tenho refletido cada vez mais sobre o aumento da sensibilidade no sistema nervoso, tanto em mim quanto em outros, à medida que o tempo avança. Isso se aplica a todos que estão passando por um despertar espiritual ou realizando trabalho espiritual.

O trabalho espiritual, a cura e o trabalho interior – como entender a sombra e as feridas, buscando a evolução da energia – naturalmente levam a um aumento da sensibilidade. Esta é uma consequência natural do despertar. Quanto mais se trabalha espiritualmente, mais a energia ascende e mais sensível a pessoa se torna. E isso é maravilhoso; é o que a alma deseja, pois nos permite sentir e perceber o mundo e o mundo espiritual com maior intensidade.

O Paradoxo da Sensibilidade Crescente

No entanto, isso nos leva a um dilema enfrentado por muitas pessoas espirituais atualmente: como podemos continuar a nos tornar mais sensíveis em um mundo que está se tornando cada vez mais polarizado?

A polarização política e o aumento da violência são inegáveis. Essa energia de polarização é parte do processo de despertar em massa do planeta. Muitos que despertam não sabem como lidar com essa nova energia ascendida e as energias da evolução, que frequentemente trazem mudanças temporárias onde as energias são mais ásperas e caóticas. Estamos passando por isso agora.

O enigma é: como manter o aumento da sensibilidade (fruto do trabalho interior) em um mundo que se torna mais polarizado?

É crucial entender que o aumento da polarização continuará por anos, embora seja temporário sob a ótica da consciência universal. Essa agitação é necessária para limpar sombras e promover mudanças institucionais, políticas e econômicas profundas, e tais mudanças inerentemente abalam estruturas existentes, gerando polarização.

Ao mesmo tempo, somos seres espirituais chamados a evoluir. Evoluir nos torna mais sensíveis. Portanto, estas duas forças – a polarização externa e a sensibilidade interna crescente – coexistem.

Estratégias para Manter a Resiliência

A questão central para mim tem sido: como me adaptar a essa energia e à sensibilidade aumentada sem sentir que estou em curto-circuito ou perdendo minha resiliência?

Muitos relataram sentir-se mais enfraquecidos após o despertar. Isso ocorre porque a abertura resultante do trabalho espiritual nos torna totalmente expostos a todas essas energias, e podemos não saber como nos manter firmes perante elas.

Para lidar com isso, tenho focado em práticas de **ancoragem no corpo**. A orientação que recebi foi buscar uma profundidade interior no corpo, diferente do aterramento tradicional.

A Profundidade do Aterramento Interior

O aterramento que estou explorando agora não é apenas criar raízes na Terra, embora essas práticas (como contato com a natureza) sejam ferramentas importantes na minha caixa de controle energético. Esta nova forma de aterramento é um **movimento para dentro do corpo**, enraizando-se na própria estrutura física.

A imagem que surge ao acessar essa profundidade é a de uma **árvore muito antiga que permanece de pé durante um furacão de categoria 5**. A maioria das árvores cai, mas as mais enraizadas resistem. A força para resistir a ventos fortes depende da profundidade de suas raízes.

Essa profundidade dentro do meu corpo se manifesta em um lugar profundo no meu abdômen inferior, perto da coluna. Ao acessar esse ponto, sinto a força dessa árvore antiga. Meu corpo está me chamando para me ancorar dentro de mim mesmo, sem depender de nada externo. Embora as ferramentas externas ainda sejam úteis, o foco está em reconhecer que: “Eu sou seu chão. Você pode contar comigo.”

É paradoxal, pois é o mesmo corpo que está hiper-sensibilizado. Contudo, ambos os estados podem coexistir. Seu corpo está se tornando mais sensível, mas existe um lugar dentro dele que ancora, sustenta e fornece a estrutura para que essa sensibilidade floresça sem que você se sinta desmoronando.

É vital não suprimir essa sensibilidade, pois isso só causará sofrimento. Você precisa de uma estrutura interna para que essa sensibilidade prospere.

Práticas Adicionais

Além de focar nessa profundidade interna, outras práticas têm sido muito benéficas:

1. **Paciência e Compaixão com o Corpo:** O corpo é onde a sensibilidade ocorre, e ele é crucial para a evolução espiritual. Há mudanças milagrosas ocorrendo em nível celular durante um despertar espiritual, e a matéria leva tempo para mudar. É essencial ter compaixão por este belo avatar físico, ouvindo seus sinais, como cansaço, sem julgamento ou pressão.
2. **Diminuir o Ritmo e Ser Mais Seletivo:** Isso não significa procrastinar, mas sim ser mais **discerningte** sobre o que aceito (dizer sim) e o que recuso (dizer não). Se o corpo não se sente inclinado a uma oportunidade, mesmo que pareça vantajosa, é melhor dizer não. É crucial aprender a proteger sua energia.
3. **Discernimento sobre Onde Colocar a Energia (Chi):** Pessoas em despertar espiritual usam muita energia (chi). É fundamental ser seletivo sobre onde essa energia é investida. Eu parei de me engajar em discussões negativas nas redes sociais, pois percebi que era um desperdício de energia, já que opiniões não mudam em câmaras de eco. O mesmo se aplica a relacionamentos drenantes: é preciso impor novos limites com amizades ou familiares que consistentemente sugam sua energia. Conservar a energia resulta em mais vitalidade, o que por si só ajuda o corpo a se estabilizar.
4. **Práticas Ativas de Incorporação (Embodiment):** Estou praticando ativamente técnicas para acalmar o sistema nervoso, movendo-o do estado de luta/fuga/congelamento (simpático) para o estado de **dominância parassimpática** (relaxamento). Isso inclui meditação, dança, respiração profunda e contato com a natureza. Quanto mais calmo estiver seu sistema energético e corporal, menos você será afetado pelas sensibilidades do sistema nervoso.

Se você se sente super sensível e está tendo dificuldades em regular seu sistema nervoso, não se preocupe. Isso é temporário e faz parte de um passo evolutivo. Sua alma o equipou com um corpo preparado para viver nesta vida, mesmo em um planeta cada vez mais polarizado. Você tem as ferramentas internas necessárias.

Perguntas Frequentes

  • Como posso lidar com a hipersensibilidade em um ambiente estressante?
    Foque em práticas ativas de incorporação para acalmar o sistema nervoso, como respiração profunda e meditação, e busque um aterramento profundo dentro do seu próprio corpo.
  • O que é a “dominância parassimpática”?
    É o estado de relaxamento do sistema nervoso, contrastando com o estado de luta ou fuga (simpático). Práticas ativas ajudam a transicionar para este estado de calma.
  • É normal sentir-se mais fraco após o despertar espiritual?
    Sim, pode ser uma fase temporária devido à abertura do sistema energético, tornando-o mais exposto. Focar na ancoragem corporal ajuda a construir resiliência.
  • Qual a melhor forma de proteger minha energia?
    Seja muito seletivo sobre onde você coloca sua energia (chi). Isso inclui limitar interações negativas em mídias sociais e impor limites saudáveis em relacionamentos que drenam sua vitalidade.
  • Por que a polarização mundial está aumentando durante o despertar espiritual?
    A polarização é vista como um efeito colateral necessário das mudanças estruturais profundas que estão ocorrendo no planeta, liberando energias mais densas e sombrias que precisam ser vistas e processadas.