Como Superar Depois Que Eles Te Machucam

É comum sentir que dedicamos nosso coração aos outros e não recebemos nada em troca. Sentimos um desejo genuíno de querer o bem para todos, mas descobrimos que nem sempre os outros desejam o melhor para nós. Fomos decepcionados por amigos, familiares, parceiros e até vizinhos, e, em alguns momentos, também decepcionamos a nós mesmos e aos outros.

O instinto natural diante da mágoa é nos fecharmos, erguendo muralhas tão altas ao redor do nosso coração que ninguém consiga nos ferir novamente. Mas e se considerarmos que sentir essa dor e expressar essa mágoa faz parte da experiência humana? E se o propósito for queimar algumas manchas cármicas através dessas interações, mantendo-nos abertos ao amor e ao mundo?

Quando alguém nos decepciona, é difícil vê-la da mesma forma. A sensação de quase desespero ou tristeza profunda gerada por essa decepção acaba nos prejudicando, pois carregar esse peso diariamente só nos afeta. Por isso, a libertação, ou o perdão, é fundamental. O perdão liberta quem perdoa, porque a pessoa que mais sofre ao guardarmos a dor e o coração partido somos nós mesmos.

A experiência humana, talvez, seja justamente transcender essa dor, integrá-la e processá-la. A única exceção é quando a situação envolve abuso ou ameaça à vida; nesse caso, o propósito dessa experiência é mostrar o quão poderosos e fortes somos ao nos afastarmos e nos protegermos.

Para situações menos extremas, como um comentário maldoso, um amigo que não compareceu como esperávamos, ou um parceiro com quem temos dificuldades, mas com quem queremos que as coisas funcionem, o aprendizado é sobre como permanecer aberto, não se fechar devido a mágoas passadas, e sim se abrir para novas experiências futuras.

A Construção de Barreiras com o Tempo

Com o avanço da idade e das experiências de vida, muitos de nós tendemos a construir barreiras em torno do coração. Nossa consciência pode se tornar contraída e rígida. É por isso que, por vezes, vemos pessoas mais velhas que parecem incapazes de perdoar, guardando ressentimentos até o fim da vida. Na juventude, em nossa pureza, estamos mais próximos da nossa alma, o que facilita o perdão e o desapego. Nossa perspectiva e consciência são mais expansivas e flexíveis, assim como nossos corpos.

Se não praticarmos a atenção plena, nossos corpos se tornam rígidos. Da mesma forma, se não processarmos as mágoas, nossa consciência se torna inflexível e contraída. Acredita-se que a alma humana tem vários níveis, e os mais baixos são afetados pela nossa realidade física e pelas experiências que nos forçam a nos defender.

Esses níveis inferiores precisam passar por um processo de limpeza enquanto ainda estamos vivos para que possamos permanecer fluidos, amorosos e abertos. Se mantivermos a dor e as emoções negativas, ficamos inflexíveis e nossa consciência se contrai.

A Pureza da Alma: O Nível Mais Elevado

Ao alcançarmos níveis mais elevados de consciência, chegamos à parte mais verdadeira da alma humana, conhecida na Cabalá como Neshama (ou Nish). Este aspecto da alma é quem realmente somos quando removemos todos os papéis que desempenhamos nesta realidade. Este nível nunca pode ser corrompido ou profanado; nada de ruim pode acontecer a ele, independentemente de quem ou o que sejamos no mundo físico.

Essencialmente, dentro de cada pessoa, não importa o quão ruins pareçam seus níveis inferiores, existe uma Alma Pura.

Existe uma prática para derrubar nossas barreiras e viver a partir desse aspecto de nossa alma que é sempre puro, completo e amoroso. Imagine viver uma vida sem medo de se abrir, receber ou experimentar. Ao adotarmos essa perspectiva, reconhecemos que cada pessoa que encontramos – pessoalmente ou digitalmente – possui uma Alma Pura.

Podemos caminhar pelo mundo reconhecendo que cada pessoa tem uma Alma Pura. Quando reconhecemos essa pureza nos outros, facilitamos que eles nos vejam e reconheçam nossa própria pureza, tratando-nos a partir de um nível de consciência mais elevado.

Embora isso exija prática, eventualmente podemos navegar pela realidade com uma consciência elevada e amorosa, e os outros também se tornarão conscientes disso.

Praticando o Perdão e a Autocompaixão

Esta não é uma prática perfeita; voltaremos aos níveis inferiores da alma e ao ego, e isso é normal. O importante é a rapidez com que conseguimos nos recuperar, perdoar, pedir desculpas, deixar ir e corrigir. É crucial nos concedermos a mesma graça que oferecemos aos outros.

Isso significa aceitar que, não importa o que pensemos sobre nós mesmos ou o que tenhamos feito, não estamos irremediavelmente perdidos, nem muito amargurados ou corrompidos. Dentro de nós reside uma Alma Pura; a alma de todo ser é pura.

Imagine aplicar esse conhecimento para encerrar o ciclo de auto-abuso, perdoando a nós mesmos e também perdoando os outros por suas falhas. No final das contas, existe uma Alma Pura dentro deles, e essa parte deles não está corrompida, merecendo o perdão.

Existe uma oração judaica que afirma: “Meu Deus, a alma que colocaste em mim é pura.” Podemos usar isso como uma afirmação, como sugerido por um Rabino: “Não importa o que eu sinta sobre mim mesmo, eu sei que tenho uma Alma Pura.”

Em todos aqueles momentos em que nos criticamos ou somos duros conosco, use este mantra: “Eu tenho uma alma pura, eu sou uma alma pura”, e observe como a vida se abre à sua pureza e como os outros o tratam. Sinta a satisfação de perdoar e deixar ir.

Podemos encontrar a pureza em cada pessoa. Reconhecer a Alma Pura nos outros facilita que eles reconheçam a nossa.

Perguntas Frequentes

  • O que é a alma pura (Neshama)?
    É o aspecto mais verdadeiro da alma humana, que nunca pode ser corrompido ou profanado, independentemente das experiências ou papéis vividos na realidade física.
  • Por que o perdão é importante para quem perdoa?
    Porque reter a mágoa e o coração partido causa sofrimento primariamente à própria pessoa que guarda esses sentimentos, e não necessariamente ao ofensor.
  • Como a rigidez da consciência se desenvolve com o tempo?
    Ela surge quando não processamos as mágoas e emoções negativas, levando a uma consciência mais contraída e inflexível, semelhante à rigidez corporal por falta de prática.
  • É possível viver a partir da Alma Pura diariamente?
    Sim, é uma prática que exige esforço constante para trazer a consciência de volta a esse nível de pureza e amor, apesar de podermos ocasionalmente cair nos níveis inferiores da alma.
  • Qual a atitude recomendada ao encontrar pessoas que nos magoaram?
    Reconhecer que, apesar de suas ações, existe uma Alma Pura dentro delas que é digna de ser perdoada, ajudando a quebrar ciclos de ressentimento.

Mantenha suas vibrações sempre elevadas. É um prazer compartilhar este conhecimento com você.