O Paradoxo da Exaustão: Quando Carregar a Bateria Não Resolve a Perda de Energia
Em 2016, um caso me chamou a atenção. Minha cliente, que chamaremos de Diane, me procurou em busca de ajuda para um problema que estava desestabilizando sua vida: a completa falta de energia.
No entanto, a exaustão que Diane sentia não era o cansaço comum que sentimos ao final de um dia agitado. Era um esgotamento paralisante, profundo, que persistia independentemente de quanto ela dormisse ou descansasse. Ela não tinha mais energia para atividades sociais, para estar presente com os filhos ou sequer para se levantar da cama e ir trabalhar. No ambiente profissional, sua carreira jurídica, antes bem-sucedida, começou a ruir, e sintomas físicos preocupantes surgiram.
Quando a conheci em nossa primeira sessão online, ela se mostrou uma pessoa prática, que acreditava saber exatamente o que precisava: recuperar a energia, como recarregar uma bateria fraca.
Entretanto, percebi rapidamente que o cerne do problema não era a falta de energia em si. Era algo mais profundo, que exigiria tempo e confronto para ser mudado.
Ao longo dos anos, atendi centenas de pessoas com o mesmo quadro. Você pode estar vivenciando isso agora, pensando que seu problema é apenas estresse da rotina. Mas, e se eu lhe dissesse que, por mais que você tente “recarregar sua bateria”, nada mudará até que você pare de praticar um comportamento não saudável muito comum?
Neste artigo, vamos explorar qual é esse comportamento e, o mais importante, como eliminá-lo para que sua energia vital retorne.
O Erro de Diagnóstico: O Balde Furado
Diane, no início, encarava seu problema como um balde vazio precisando ser enchido com água (simbolizando energia ou *Qi*). Se você coloca água em um balde, ele eventualmente enche, certo? O problema estaria resolvido.
Mas Diane estava olhando para a situação de forma incorreta. O problema não era a quantidade de energia (água) que faltava, mas sim que o seu balde possuía **vários furos**.
Metaforicamente, esses furos representavam áreas no campo energético de Diane onde ela estava perdendo *Qi* de maneira prejudicial. Em outras palavras, ela estava **desperdiçando sua energia ou poder de formas autodestrutivas**. Essa perda era tão intensa que estava culminando em um adoecimento físico.
Onde Está o Vazamento? As Conexões Inferiores
O que exatamente drenava a energia de Diane a esse ponto?
Se você se identifica com o cenário de estar perdendo energia em um padrão autodestrutivo, é provável que esteja envolvido em uma “conexão inferior”. Chamo assim porque, espiritualmente, o ponto de conexão nessas situações emana dos **três chakras inferiores** (base, sacral e plexo solar).
Um especialista em energia pode identificar um furo nos chakras inferiores de uma pessoa e um cordão de energia saindo dele, direcionando a energia vital para a pessoa ou situação à qual ela está ligada. Esses cordões são feridas energéticas resultantes de traumas ou padrões de apego imaturos, geralmente originados em feridas da infância.
Os três chakras inferiores governam questões fundamentais: nossa sensação de segurança, nosso vínculo com os outros e nosso senso de agência ou poder pessoal. Quando esses centros estão feridos, criam-se vazamentos energéticos que direcionam nossa vitalidade para fora, alimentando situações ou pessoas que nos são prejudiciais.
Diane estava presa em uma conexão inferior com seu marido. O que a ligava a ele eram cordões de energia oriundos de seus chakras inferiores feridos. Sua energia fluía para ele, deixando-a quase incapacitada.
Um exemplo vívido disso pode ser visto em casais em terapia. Ao observar uma esposa exausta, quase sem vida, ao lado de um marido narcisista, percebe-se o exato retrato de uma conexão inferior. Ela mal respira, parece congelada e drenada, enquanto ele mantém sua energia. Isso demonstra o quão desgastante é permanecer ligado a alguém que drena seu campo de energia vital.
Por Que Permanecemos em Conexões que nos Drenam?
Como alguém chega a um estado de exaustão crítica por causa dessas ligações? E por que permanecemos nelas?
Isso não ocorre apenas em relacionamentos românticos. Pode acontecer com pais, irmãos, amigos, ou até mesmo com o trabalho ou a busca por *status* e dinheiro.
Existem dois motivos principais para permanecermos em conexões inferiores:
1. **O Medo Profundo:** Conexões inferiores afetam diretamente os três chakras inferiores. Quando esses centros estão feridos, inevitavelmente surgem medos: medo da mudança, medo de perder o relacionamento (mesmo que ele seja tóxico) ou medo de agir com poder pessoal. Todo esse medo se origina dessas amarras energéticas.
2. **A Exaustão Energética:** À medida que perdemos energia vital, ficamos progressivamente mais exaustos, tornando a ação — como terminar um relacionamento ou mudar de carreira — algo que parece absolutamente avassalador.
Eu mesma vivenciei isso. Em meu último relacionamento de drenagem, mesmo sendo terapeuta e *coach*, a ideia de arrumar uma mala e ir embora parecia impossível para meu sistema já esgotado. Eu só agi quando a situação se tornou tão crítica que comecei a desenvolver sintomas físicos, como pressão alta, algo inédito para mim.
Se você está passando por isso, saiba que não está sozinho, mas é sinal de que há trabalho a ser feito.
Os Três Passos Para Fechar os Vazamentos de Energia
Como podemos sair desses padrões e impedir que nossa energia vital escape? O processo envolve três passos cruciais:
1. Expressar a Verdade
Lembramos que Diane inicialmente recusou-se a falar sobre o marido. Por quê? Porque em seu íntimo ela já sabia a verdade, mas não estava pronta para confrontar a realidade que seu “saber interior” já apresentava. Permitir-se discutir o relacionamento era forçá-la a verbalizar o que já era conhecido internamente.
Quando Diane finalmente confiou o suficiente para abrir essa porta, houve um avanço notável. Ao falar sobre o casamento, ela pôde vê-lo com clareza, sentindo-se confortável para expressar a verdade final: o casamento precisava terminar para que ela prosperasse.
**Ato de expressar a verdade é um dos momentos de cura mais poderosos.** Você não só permite que sua verdade seja testemunhada, mas também ganha um impulso extra de energia que, para muitos, é o que falta para tomar a decisão e agir.
2. Agir com Confiança
Uma vez que você reconhece a realidade de estar em uma conexão inferior, você deve **interromper essa conexão**.
Se for com uma pessoa, você precisa parar de se conectar com ela. Se for com um *status*, carreira ou dinheiro, você deve cessar a busca cega. Energeticamente, isso significa **cortar o cordão de energia** que o liga àquela pessoa ou coisa, pois é por ele que a energia (*Qi*) está escoando.
Embora técnicas espirituais como orações ou defumação possam auxiliar, elas não são suficientes sozinhas. O corte real do cordão só ocorre **através da ação**. Se eu tivesse apenas feito uma limpeza energética em Diane, sem que ela tomasse uma atitude, nada mudaria.
O caminho de Diane para cortar o laço com o marido foi declarar: **”Eu quero o divórcio”** e se remover fisicamente da presença dele. Assim que ela agiu decisivamente, os cordões se dissiparam.
3. Curar as Feridas Subjacentes
Por que Diane e seu marido se atraíram e permaneceram naquele casamento tóxico? Porque ambos estavam feridos.
Diane dava sua energia facilmente; ela não tinha limites saudáveis, não se honrava e não acreditava que merecia algo melhor. Essa dinâmica é reflexo de feridas não resolvidas nos três chakras inferiores.
Não importa o quão inteligente ou evoluído você se considere, se você atrai e permanece em conexões inferiores, é porque esses centros energéticos fundamentais contêm feridas que necessitam de cura.
Ao curar essas feridas, você naturalmente estabelece limites, aprende a se honrar e começa a atrair e sustentar conexões que, ao invés de drenar, nutrem sua vida.
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Perguntas Frequentes
- O que são “conexões inferiores” na perspectiva energética?
São laços energéticos estabelecidos com pessoas, situações ou objetos, geralmente centrados nos três chakras inferiores, que resultam em mais perda de energia vital (*Qi*) do que nutrição, frequentemente originados de traumas ou padrões de apego não saudáveis. - Como posso identificar se estou em uma conexão inferior?
Sinais comuns incluem exaustão crônica que não melhora com descanso, falta de motivação, medo paralisante de mudança e sentir-se constantemente drenado após interagir com alguém ou focar em algo específico. - É possível ter conexões inferiores mesmo que eu não esteja em um relacionamento romântico?
Sim. Cordões de energia prejudiciais podem ser formados com pais, amigos, empregos ou mesmo na busca obsessiva por bens materiais como dinheiro ou *status*. - Qual a melhor forma de cortar um cordão de energia?
O corte mais eficaz exige ação decisiva. Embora práticas espirituais ajudem a limpar a energia residual, o ato de interromper o comportamento ou a relação tóxica é o que efetivamente dissolve o cordão energético. - Como a cura dos chakras inferiores ajuda a prevenir futuras conexões tóxicas?
Curar os chakras inferiores trabalha a base da sua segurança, poder pessoal e capacidade de estabelecer vínculos saudáveis, capacitando você a ter limites claros e a não aceitar ser drenado por outros.






