Rituais de Casamento, Gravidez Intencional e Sonhos de Concepção (Mundos Internos Temporada 2 Episódio 3)

Fé, Escolhas e a Jornada Espiritual da Maternidade

Este artigo explora temas profundos como o destino, a intencionalidade nas escolhas de vida, o luto pelas oportunidades não escolhidas e a chegada da maternidade. Refletimos sobre como navegar a vida de forma consciente, especialmente ao abraçar novas fases como o casamento e a parentalidade.

Reflexões Sobre o Passado e o Presente

Nas publicações anteriores, compartilhamos sobre o crescimento pessoal e as contrações vivenciadas nos últimos dois anos, bem como a introdução do parceiro, uma pessoa fundamental nesta jornada. Ele tem um desejo profundo de ensinar sobre a preparação e manutenção de relacionamentos amorosos e poderosos, um papel no qual ele se destaca.

Neste momento, o foco é discutir a **lei do destino e as escolhas** que fazemos, o luto pelas decisões não tomadas e a importância de ser intencional ao trilhar nosso caminho. Abordaremos também a experiência da gravidez, a jornada espiritual que ela desencadeou e a revelação do gênero do bebê, que será celebrada em seguida.

Primeiramente, um agradecimento especial a todos pelo apoio à linha de joias espirituais, a Alchemy by La. O suporte recebido permite a autoprodução dos conteúdos sem depender de patrocinadores ou outras empresas, o que é profundamente apreciado.

A Jornada da Maternidade e o Despertar do Instinto

É interessante notar que o desejo de ser mãe nem sempre foi algo natural ou óbvio. Por muitos anos, especialmente durante a juventude e o foco no trabalho e na espiritualidade, a prioridade era o crescimento pessoal. Sentia-se contente com a vida independente e havia um medo significativo da responsabilidade de cuidar de algo além de si mesma.

Esse medo só começou a se dissolver com a chegada do companheiro e, posteriormente, com a necessidade de cuidar de um animal de estimação. Percebeu-se que, embora o instinto maternal seja natural para muitas mulheres, ele não é universal. Algumas optam por não ter filhos nesta vida, ou simplesmente não podem ter essa opção no momento. Para outras, como no meu caso, é preciso fazer uma escolha muito **intencional**, mesmo diante do medo e da ausência de um chamado sobrenatural evidente.

Até aquele ponto, enxergava-se duas grandes opções de vida: ou encontrar o amor da vida e construir uma família, ou dedicar-se integralmente à jornada espiritual, buscando a transcendência e o desapego material para alcançar a iluminação.

A opção pela renúncia material parecia mais atraente por um longo tempo, mas com o tempo, percebi que essa atração vinha de um lugar de medo — medo de compromisso, de responsabilidade e de falhar. Era ingênuo pensar que o aprofundamento espiritual exigiria o abandono do mundo material e da experiência humana. Casar e formar uma família, apesar dos desafios e gatilhos que trazem, não precisa diminuir a jornada espiritual; pelo contrário, pode aprofundá-la.

Embora dedique menos tempo à contemplação do cosmos ou à meditação focada unicamente no eu, a vida familiar oferece oportunidades imensuráveis de crescimento espiritual. Relacionamentos e filhos são professores poderosos, ensinando lições que levariam eras para serem aprendidas sem os disparadores da vida familiar.

Os Ashramas: Estágios da Vida no Hinduísmo

Ao refletir sobre esta nova fase, é útil considerar o conceito hinduísta de Ashramas, que divide a vida em quatro estágios, todos igualmente importantes para a iluminação espiritual.

1. Brahmacharya (Estágio do Estudante): Focado na educação, aprendizado e desenvolvimento da disciplina, construindo a base para ser um ser humano capaz de contribuir para a sociedade.
2. Grihastha (Vida de Casa/Assalariado): Focado na família, carreira e contribuição prática à sociedade.
3. Vanaprastha (Vida do Eremita): Após criar os filhos e cumprir as obrigações sociais, há um gradual afastamento das perseguições materiais e responsabilidades para focar mais intensamente na espiritualidade. Isso se assemelha ao período de aposentadoria, quando o ninho está vazio.
4. Sannyasa (Vida do Renunciante): O estágio final, onde a pessoa pode renunciar completamente ao mundo para se dedicar à libertação espiritual. É comum entre iogues que escolhem o momento de deixar seus corpos físicos.

Embora a etapa do renunciante não seja o caminho de todos, ou necessariamente o meu agora, saber que existe um tempo para cada coisa traz conforto. A vida familiar ou profissional (para quem não deseja constituir família) é uma parte válida da jornada espiritual.

Intencionalidade nas Escolhas e a Jornada de Concepção

Houve uma mudança de perspectiva necessária: as razões pelas quais eu não estava animada com a maternidade podem ter sido enraizadas em exemplos familiares limitantes. Percebi que posso fazer as coisas de uma maneira diferente, desfazendo as correntes das crenças limitantes.

A vida é um convite constante à escolha, não apenas à esperança passiva. Escolhi encontrar meu parceiro, escolhi me despedir de outros caminhos potenciais e escolhi ser mãe, mesmo que isso tenha sido um ato de coragem. A terapia foi crucial para confrontar medos de compromisso, responsabilidade e fracasso inerentes ao papel de mãe e esposa.

As Visões Espirituais da Gravidez

Duas semanas antes de fazer o teste de gravidez, tive dois sonhos de concepção, que muitas culturas associam ao início de uma gravidez.

* O primeiro sonho envolveu um touro, símbolo de fertilidade, vitalidade e novos inícios. Isso ocorreu entre os eclipses de março e abril, períodos de grandes encerramentos e começos. Muitas pessoas relataram ter descoberto a gravidez nesse mesmo período fértil.
* Uma semana depois, sonhei que havia dado à luz um menino, com um dos nomes que eu e meu parceiro havíamos selecionado secretamente sob a *chuppah* (o dossel do casamento judaico), que simboliza a casa que construímos juntos. No sonho, senti uma profunda saudade do corpo grávido.

Pouco antes do teste, tive uma noite agitada, “flutuando” entre realidades. Vi um cometa de luz azul e dourada atingir meu corpo exatamente na região do útero. Nesse estado de semi-consciência, soube que a alma do meu filho havia acabado de “aterrissar” em mim.

Apesar disso, a confirmação física demorou a chegar, pois meu ciclo havia se tornado irregular. Apenas no dia 33 (em vez dos habituais 29 dias) comecei a considerar a possibilidade real. Fiz o teste na casa de uma amiga querida, pois não queria estragar a surpresa para meu parceiro. O resultado foi positivo imediatamente, gerando grande euforia. É especial que essa amiga também engravidou pouco tempo depois, com datas de parto muito próximas.

Rituais de Passagem e Fé

Antes do casamento, a noiva se afasta do noivo por alguns dias (ou até 10, dependendo da tradição cultural judaica, pois os ultraortodoxos mantêm separação mais estrita). Esse afastamento culmina na ida ao Mikve, um banho ritualístico que restaura a pureza. Meu primeiro Mikve, em 20 de fevereiro de 2024, foi um evento profundamente espiritual.

No Mikve, a mulher submerge completamente na água em movimento (que deve ser água natural, como nascente ou oceano, ou coletada em quantidade significativa, cerca de 200 galões de água da chuva, para não estagnar). Após cada imersão, a guia canta uma bênção e, ao emergir, a mulher tem a oportunidade de orar e visualizar seus desejos.

Durante meu Mikve, recebi uma visão de nossos futuros filhos, em um cenário “ensolarado e verde”, trazendo imensa paz. Minha mãe, que teve uma experiência menos positiva em seu próprio Mikve de casamento, estava presente do lado de fora, tornando o momento ainda mais comovente.

Após o casamento, realizei um último Mikve antes do fim do meu ciclo menstrual, e foi então que confirmei a gravidez. Reviver esse ritual como mulher casada, sabendo que estava construindo uma nova vida, foi mágico. É um tempo de meditar e pedir ao Divino, sem se sentir egoísta.

Também é importante reconhecer que, para muitas mulheres, o desejo de ser mãe é forte, mas a concepção ainda não aconteceu. Isso se deve a destinos contratuais e à força da fé, e não a uma “falta de escolha” pessoal.

Apoio à Fertilidade e Manifestação

Duas ajudas práticas mencionadas foram:

1. **Acupuntura Semanal:** Realizada por 8 meses com o objetivo de equilibrar meus hormônios, o que inadvertidamente auxiliou na fertilidade. Isso ajudou a mudar a narrativa interna de que eu tinha problemas hormonais, mostrando que meu corpo era saudável e capaz.
2. **Amuleto da Deusa (Goddess Amulet):** Um talismã criado para canalizar a energia feminina, intuição e criatividade. Este item, que possui três letras hebraicas específicas (o foco do poder), tem demonstrado ser um poderoso auxílio para a fertilidade, com relatos de concepções após anos de tentativas. As letras podem ser copiadas e colocadas sob o travesseiro como um recurso espiritual alternativo à aquisição do amuleto físico.

A gravidez em si também parece ter ajudado a aliviar os sintomas de **PMDD** (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual), possivelmente devido ao aumento da progesterona.

Destino e Livre Arbítrio

Refletindo sobre destino versus escolha: tudo o que escolhemos livremente, dentro de nossa consciência, torna-se nosso destino. Não podemos nos opor à consciência universal. Mudança e morte são fados, mas a forma como reagimos a elas é nossa livre escolha. Decidi ativamente abraçar a maternidade, escolhendo esta nova realidade no “menu de experiências” oferecido pelo universo.

A revelação final: o bebê que está sendo gestado é uma **menina**. É um processo surreal construir um universo dentro do próprio corpo. O nascimento é a metáfora final da realidade: estamos constantemente morrendo para velhas partes de nós mesmos e sendo constantemente “nascidos” em novas experiências, ideias e manifestações.

Perguntas Frequentes

  • Como o conceito de Ashramas se relaciona com a espiritualidade?
    Os Ashramas dividem a vida em quatro estágios (Estudante, Casa, Eremita, Renunciante), sugerindo que cada fase oferece lições espirituais essenciais e tem um papel na jornada completa rumo ao esclarecimento.
  • O que é um Mikve e qual sua função?
    O Mikve é um banho ritualístico, geralmente subterrâneo e contendo água em movimento, onde mulheres judias mergulham para restaurar a pureza, geralmente antes do casamento ou em tempos específicos do ciclo menstrual, sendo um momento de oração e visualização de desejos.
  • Por que a escolha intencional é tão enfatizada em vez de apenas esperar que as coisas aconteçam?
    A escolha intencional é destacada como uma forma de manifestação ativa, diferenciando-se da esperança passiva. Ela envolve assumir o poder de “demandar” a realidade desejada com amor e fé, em vez de apenas desejar passivamente.
  • É possível obter benefícios espirituais dos rituais judaicos sem ser judia?
    Sim, a reflexão sobre rituais como o Mikve, que envolve imersão em água corrente e oração, pode inspirar práticas espirituais pessoais, independentemente da afiliação religiosa.
  • Qual a relação entre o medo de responsabilidade e o foco inicial na espiritualidade?
    O foco inicial na espiritualidade ascética, como busca pela iluminação e desapego, muitas vezes mascara medos inconscientes, como o medo de compromisso, responsabilidade e falha inerentes aos relacionamentos íntimos e à parentalidade.